

A Câmara Municipal de Fernandópolis realizou uma sessão nesta terça-feira, dia 15, onde foi lida uma moção de repúdio contra Valdete Magalhães, atual secretária de Educação do município. A medida ocorre após uma série de cartas de repúdio enviadas por professores descontentes com a atuação da secretária e seu modo de lidar com os profissionais da educação.

Os docentes expressaram indignação e desânimo com as ações da secretária de Educação, liderada por Valdete Magalhães, que possui mais de 25 anos de experiência em educação, incluindo passagens como docente, coordenadora de cursos e diretora da ETEC.
A moção de repúdio apresentada na Câmara Municipal visa expressar a insatisfação dos professores e da comunidade com a gestão da secretária à frente da pasta, e representa um ponto negativo para a administração.
Um grupo de professores, a maioria vestidos de preto em sinal de luto na Educação municipal, acompanharam a leitura do documento em plenário.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Fernandópolis, Claudinei Senha, também acompanhou a leitura ao lado dos professores.
Leia a Carta na íntegra:
MOÇÃO DE REPÚDIO EM DECORRÊNCIA DAS ATITUDES AUTORITÁRIAS DA SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO DE FERNANDÓPOLIS
Nós, abaixo assinados, manifestamos, por meio desta Moção de Repúdio, nossa profunda indignação e veemente protesto contra a postura até então manifestada por nossa secretária, que desde sua apresentação no teatro municipal durante nosso planejamento (quando sequer estava empossada no cargo) vem nos tratando de forma rude e menosprezando o diálogo.No dia 26 de março de 2025, chegou ao conhecimento do corpo docente da rede municipal de Fernandópolis, após conversas ocorridas dentro da S.M.E. (Secretaria Municipal de Educação) que diretores das unidades escolares foram verbalmente avisados sobre o fechamento de salas de aula em toda a rede (desde a educação infantil até os cinco anos do ensino fundamental 1) sendo os alunos das ditas classes redistribuídos nas outras de mesmo ano em suas unidades escolares (em desconformidade com a lei nº 15.830, de 15 de junho de 2015, no caso do fund.1 e em desconformidade com a resolução CNE/CEB nº1 de 17 de outubro de 2024 para a educação infantil).É importante ressaltar que não houve qualquer comunicação formal e documentada que especificasse as diretrizes da medida adotada, tampouco informações detalhadas acerca do redirecionamento funcional dos professores que atualmente ocupam as salas de aula objeto da supressão. Tal ausência de formalização fere os princípios da publicidade e da transparência administrativa, conforme previsto no artigo 37 da Constituição Federal.Ainda no dia 26 de março de 2025, os diretores da rede municipal foram convocados no período da tarde para reunião com a secretária da rede.Os diretores organizaram as demandas de suas unidades escolares no que se refere ao atendimento legal e de excelência que deve ser prestado a todo educando, bem como todas as dúvidas e preocupações de seus professores.Porém, no início da reunião, foram surpreendidos com a apresentação de uma pauta sem nenhuma relação com o assunto de urgência eminente que se acreditava que seria abordado. Não o bastante, a secretária, Valdete Magalhães, foi incisiva ao determinar que não daria fala a nenhum dos diretores naquele dia sobre o assunto em questão, não prestaria quaisquer esclarecimentos e não tiraria nenhuma dúvida, afirmando apenas que esse assunto seria tratado em outra reunião em momento a ela mais oportuno.Tal inflexibilidade demonstra o completo descaso da mesma com as questões emocionais e psicológicas de todos os seus subordinados (diretores e professores) desconsiderando os princípios apresentados na lei nº14.681, de 18 de setembro de 2023.Essa conduta foi também determinante para o que sucedeu depois: chegou ao conhecimento de toda população do municipio!As dúvidas e preocupações se espalharam entre a comunidade (o que poderia ter sido evitado) ocasionando na necessidade de no dia 27 de março, o prefeito, João Paulo Cantarella, precisar se reunir com seus vereadores e publicar um video em redes sociais para trazer alguma tranquilidade aos docentes e população sobre o atendimento escolar e segurança dos empregos dos profissionais da rede.Diante dessa postura inadmissível de nossa secretária, repudiamos qualquer tentativa de desqualificar, menosprezar ou desvalorizar o trabalho dos professores, ressaltando que tais atitudes não condizem com o respeito e a seriedade que a educação deve ter em nossa sociedade.Diante do exposto, solicitamos ao Executivo Municipal que determine a retratação pública da Secretária de Educação, acompanhada de um pedido formal de desculpas pela desorganização demonstrada durante as referidas reuniões. Ademais, instamos a Administração Municipal a adotar medidas concretas para restaurar a confiança entre os profissionais da educação e o poder público, assegurando um ambiente de trabalho digno e respeitoso, pois, o compromisso com a educação passa, necessariamente, pelo respeito àqueles que a constroem diariamente nas salas de aula.







