sexta, 10 de julho de 2026

Calor extremo nos EUA acende alerta na Copa do Mundo e gera debate sobre saúde dos atletas

A vitória do Brasil sobre a Escócia por 3 a 0, em Miami, foi marcada não apenas pelo bom desempenho da Seleção Canarinho, mas também pelas altas temperaturas que desafiaram os jogadores. No momento em que a bola começou a rolar, os termômetros registravam 30°C no fim da tarde local. O cenário não é uma surpresa: um estudo da Queen’s University Belfast, publicado no início do ano passado, já apontava que 14 das 16 cidades-sede do Mundial, espalhadas por Estados Unidos, México e Canadá, apresentavam riscos potenciais de calor excessivo com base no histórico meteorológico das últimas duas décadas.

Especialistas da associação internacional World Weather Attribution Initiative (WWA) também haviam alertado para os perigos das partidas agendadas para o México e para as regiões central e sul dos Estados Unidos. O grande temor dos cientistas climáticos é a combinação de altas temperaturas com a forte umidade costeira, uma mistura que dificulta o resfriamento do corpo e torna a prática do futebol consideravelmente mais perigosa. O sindicato global de jogadores, a FIFPro, recomenda pausas obrigatórias para hidratação a partir dos 30°C e orienta que as partidas sejam interrompidas ou adiadas caso os termômetros atinjam os 36°C.

A atual edição da Copa projeta que pelo menos 26 partidas sejam disputadas sob o calor de 30°C ou mais, superando os 21 jogos registrados nessas condições na Copa de 1994, também sediada em solo americano. O próximo compromisso do Brasil no mata-mata será em Houston, no Texas, onde a previsão do tempo aponta 33°C no horário do jogo. Para a sorte dos atletas, o estádio texano conta com teto retrátil e sistema de ar-condicionado, amenizando os impactos do clima.

Para tentar conter o problema, a Fifa implementou pausas obrigatórias de três minutos para hidratação em cada tempo de todas as 104 partidas do torneio, independentemente do clima no dia. Embora a medida receba vaias de parte dos torcedores e divida a opinião de técnicos, o presidente da entidade, Gianni Infantino, garantiu que a interrupção atende exclusivamente a critérios de saúde. Por outro lado, um grupo de 20 cientistas internacionais publicou uma carta aberta defendendo que três minutos são insuficientes para a recuperação física dos atletas, sugerindo pausas de pelo menos seis minutos, além de cobrarem ações globais mais efetivas contra as mudanças climáticas que afetam tanto quem está dentro de campo quanto o público nas ruas.

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