sexta, 21 de agosto de 2026

Bruno Gagliasso defende maior produção de filmes sobre a ditadura militar

O ator Bruno Gagliasso defendeu que o cinema brasileiro amplie a produção de obras retratando o período da ditadura militar no país. A declaração foi feita durante o lançamento do longa-metragem “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles, que estreou em cinemas de 18 cidades brasileiras nesta quinta-feira, 13 de agosto. Na obra, o ator interpreta o líder estudantil Honestino Guimarães, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) que foi preso e morto pelo regime militar em 1973, aos 26 anos.

Para o artista, abordar a ditadura nas telas é fundamental para preservar a memória nacional e evitar que episódios de autoritarismo sejam apagados da história. Gagliasso destacou o impacto pessoal do projeto, afirmando ter ficado emocionado ao receber o carinho dos familiares de Honestino, que apontaram semelhanças entre a interpretação e o jovem estudante de geologia da Universidade de Brasília. O produtor da obra, Nilson Rodrigues, reforçou a análise ao comparar o volume de produções nacionais com outros países da América do Sul, ressaltando que a Argentina produziu mais de 100 filmes sobre seu período ditatorial, enquanto o Brasil soma apenas cerca de três dezenas de obras de ficção sobre o tema.

Desenvolvido em formato híbrido que mescla linguagem documental e reconstituição dramática, o filme enfrentou desafios de pesquisa histórica devido à escassez de registros visuais da época. O diretor Aurélio Michiles explicou que o movimento estudantil daquele período evitava fotografar e filmar assembleias ou passeatas para proteger os militantes contra a repressão. Como recurso histórico, a produção incorporou imagens de arquivo gravadas durante a invasão militar do campus da UnB em 1968, além de cenas dramatizadas por atores para reconstruir a trajetória de uma das principais lideranças jovens da história política do país.

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