


Cerca de 9% dos professores da educação básica pública no Brasil não possuíam a qualificação completa exigida para o exercício da profissão entre 2024 e 2025. O dado integra o relatório Panorama da Educação 2026, divulgado nesta terça-feira (29) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e coloca o país em um patamar alinhado à média das nações integrantes do bloco, que ficou em 9,1%. O indicador abrange profissionais que lecionam sem diploma de ensino superior, sem certificação específica ou sem a devida formação pedagógica.

Segundo a publicação internacional, a contratação de docentes sem a qualificação padrão é uma consequência direta da escassez de profissionais em áreas estratégicas. No cenário brasileiro, esse déficit afeta principalmente escolas situadas em localidades remotas ou de maior vulnerabilidade social, concentrando-se com maior intensidade nas disciplinas de matemática e ciências naturais. Além disso, a rotatividade preocupa: em 2022, 10,3% dos professores qualificados deixaram a rede pública no país por aposentadoria ou migração de carreira, número superior à média da OCDE.
O levantamento revela ainda um descontentamento com a remuneração e com o ambiente escolar no país. Apenas 44,3% dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental declararam satisfação com as condições de trabalho em 2022, perante uma média internacional de 68,4%. Em relação à remuneração, somente 22,3% dos docentes demonstraram satisfação com os ganhos salariais. Em resposta aos dados, o Ministério da Educação (MEC) destacou a manutenção do Piso Nacional do Magistério e ações recentes voltadas à atração e retenção de talentos, como programas de bolsas para alunos de alto desempenho do Enem em cursos de licenciatura e novos critérios de avaliação de qualidade na formação docente.









