domingo, 11 de outubro de 2026

Brasil soma 2 milhões de trabalhadores por aplicativo com jornadas mais longas e menor ganho por hora

Cerca de 2 milhões de brasileiros atuaram profissionalmente por meio de aplicativos digitais em 2025, o equivalente a 1,9% de toda a população ocupada no país. A imensa maioria desse contingente trabalha por conta própria, mas enfrenta uma rotina marcada por jornadas de trabalho mais extensas, renda por hora inferior à média do mercado e alto índice de informalidade, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os serviços de transporte privado de passageiros concentram o maior volume da categoria, representando quase 59% de todos os profissionais plataformizados. Esse grupo reúne 1,1 milhão de condutores vinculados a empresas como Uber e 99, além de 232 mil taxistas cadastrados em plataformas próprias. Os entregadores de mercadorias e alimentos somam 376 mil pessoas, enquanto o segmento de prestação de serviços gerais e profissionais — que engloba de designers a atendimentos por telemedicina — alcança 313 mil trabalhadores. O setor de transporte, armazenagem e correios lidera o uso da tecnologia, com três em cada quatro profissionais atuando via aplicativo.

Considerando apenas aqueles que têm nas plataformas sua fonte de renda principal, o número de profissionais cresceu 9,1% em apenas um ano, saltando de 1,7 milhão em 2024 para 1,8 milhão em 2025. O avanço mais expressivo ocorreu no setor de entregas, que registrou uma alta de 18,6% no período. A maior parte dessa força de trabalho é composta por homens, com expressiva concentração na faixa etária de 25 a 39 anos. A falta de oportunidades no mercado formal de trabalho desponta como o principal motivo alegado para o ingresso na atividade.

O levantamento do IBGE aponta que, embora o rendimento médio mensal do trabalhador de aplicativo seja equivalente ao do profissional não plataformizado — na casa dos R$ 3.147 livres de custos operacionais —, a carga horária semanal dos motoristas e entregadores chega a 44,7 horas, contra 39,3 horas da média do setor privado. Essa diferença faz com que o ganho por hora trabalhada no aplicativo seja 12% menor. Além disso, a informalidade atinge 72,1% dos plataformizados, e apenas 34% contam com proteção previdenciária.

Embora quase 87% dos cadastrados se declarem autônomos, o IBGE ressalta a existência de uma forte dependência funcional em relação às empresas de tecnologia. A grande maioria dos motoristas e entregadores relata não ter autonomia sobre o valor cobrado pelas corridas, os prazos de entrega ou as formas de recebimento do pagamento. O debate sobre a regulamentação da categoria e o eventual vínculo empregatício entre motoristas e plataformas digitais segue em discussão no Supremo Tribunal Federal.

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