

O Brasil ainda enfrenta o grave desafio de perder centenas de mulheres todos os anos devido a complicações durante a gestação ou em até 42 dias após o parto. De acordo com os indicadores mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus), o país registra uma taxa de 56,4 mortes maternas para cada 100 mil bebês nascidos vivos. Esse índice representa um total de 1.347 óbitos em apenas um ano, acendendo um alerta para a necessidade urgente de melhorias no atendimento médico voltado às gestantes.

A realidade se torna ainda mais preocupante diante do fato de que a imensa maioria dessas tragédias poderia ser evitada. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), nove em cada dez mortes de grávidas ou puérperas ocorrem por motivos que têm prevenção ou tratamento eficaz. Para conscientizar a sociedade e o poder público sobre esse cenário, o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, lembrado em 28 de maio, reforça a importância de garantir os direitos das mulheres e de oferecer um acompanhamento médico completo e humanizado em todas as etapas da maternidade.
Especialistas da área médica apontam que o acolhimento adequado desde o início da gestação é a principal arma para salvar vidas. Maria Isabel Peixoto, chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defende que um pré-natal de qualidade e iniciado de forma precoce permite identificar e tratar riscos a tempo. Com esse monitoramento, torna-se plenamente possível encaminhar a paciente para um parto seguro, com assistência de ponta e um resultado final feliz para a mãe e para o bebê.
Atualmente, cerca de 66% das mortes maternas no território nacional são provocadas por causas obstétricas diretas, que são aquelas ligadas diretamente a falhas no manejo da gravidez ou do parto. No topo da lista das quatro principais vilãs estão as síndromes de pressão alta, as hemorragias graves, as infecções após o nascimento e as complicações decorrentes de abortos. Diante desse quadro, o Brasil assumiu o compromisso internacional de intensificar os investimentos em saúde pública para cortar a taxa atual quase pela metade, estabelecendo a meta de atingir o limite máximo de 30 mortes para cada 100 mil nascidos vivos até o ano de 2030.







