

O governo brasileiro divulgou uma nota oficial manifestando forte repúdio à decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre os produtos importados do Brasil. A medida protecionista norte-americana, anunciada nesta quarta-feira (15), passará a vigorar a partir do dia 22 de julho, tendo como base um relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Em resposta, o Palácio do Planalto, por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom), classificou o dia do anúncio como um marco lamentável na história das relações diplomáticas entre os dois países e declarou que não reconhece a legitimidade da investigação por falta de amparo nas regras do comércio internacional.

Como reação imediata ao que chamou de punição unilateral e sem justificativa, o governo federal confirmou que vai acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada recentemente por unanimidade no Congresso Nacional, além de recorrer formalmente aos mecanismos de solução de disputas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil também prometeu ativar o Plano Brasil Soberano para dar suporte financeiro e proteger os setores produtivos afetados pelas taxas americanas, buscando preservar empregos e buscar novos parceiros comerciais ao redor do mundo para diminuir a dependência do mercado norte-americano.
A investigação dos Estados Unidos, que durou um ano, alega que o Brasil adota práticas comerciais injustas que prejudicam empresas e agricultores americanos. Entre os pontos questionados pelo USTR estão as regras brasileiras de comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, proteção à propriedade intelectual, tarifas sobre o etanol e até o desmatamento ilegal. A gestão brasileira rebatou duramente as acusações, classificando como absurdas as críticas ao Pix e ao controle de crimes na internet, defendendo o sistema de pagamentos instantâneos como um patrimônio nacional e referência global de tecnologia pública. O governo também enfatizou que o combate aos crimes ambientais foi intensificado nos últimos anos, resultando em quedas expressivas nos índices de desmatamento.


Para reforçar a posição brasileira, a nota da presidência destacou dados que mostram o desequilíbrio e a contradição da decisão norte-americana. Nas audiências públicas realizadas na semana passada pelo próprio órgão dos EUA, a grande maioria dos participantes do setor privado de ambos os países se posicionou contra a taxação. Além disso, o documento lembra que os Estados Unidos acumularam um saldo positivo de mais de 424 bilhões de dólares no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos, sendo que quase a totalidade das importações vindas dos EUA entra em território brasileiro com tarifas alfandegárias zeradas ou extremamente baixas.







