quarta, 22 de julho de 2026

Brasil pode registrar até 127 dias de calor extremo por ano até 2075, alerta estudo climático

O Brasil caminha para um futuro consideravelmente mais quente, onde os dias de calor sufocante deixarão de ser uma exceção para se tornarem parte da rotina. Projeções climáticas realizadas pela i4sea, uma plataforma de inteligência voltada para apoiar empresas em decisões estratégicas, indicam que o país poderá saltar dos atuais 6 dias de calor extremo por ano para até 127 dias sob essa condição até 2075. Para traçar esse cenário preocupante, a instituição cruzou mais de 26 modelos climáticos globais e adaptou as previsões especificamente para a realidade de cada região do território brasileiro.

De acordo com o levantamento, a temperatura máxima média do Brasil deve subir $1,7^\circ\text{C}$ nas próximas décadas, mas o aquecimento pode ser ainda mais severo e atingir picos de até $7^\circ\text{C}$ acima do normal em determinados pontos do país. A análise regional mostra que a Região Norte será a mais afetada pelo fenômeno, enfrentando uma alta média de $2,8^\circ\text{C}$ na temperatura máxima e a previsão assustadora de 193 dias de calor extremo anuais. Roraima e Acre aparecem no topo da lista de estados mais expostos, sendo que os roraimenses podem registrar até 250 dias de calor intenso por ano — o que equivale a quase dois terços do ano sob temperaturas escaldantes. Já Rondônia lidera o ranking de aumento de temperatura pura, com uma alta projetada de quase $4^\circ\text{C}$.

O Centro-Oeste aparece logo em seguida no ranking de impactos, com a previsão de um aumento de $2^\circ\text{C}$ na média e uma explosão no número de dias de calor extremo, que deve saltar de 5 para 107 por ano. Na Região Sul, embora o aquecimento médio seja um pouco mais contido, estimado em $1,1^\circ\text{C}$, os dias de calor intenso vão quase multiplicar por dez, passando de 4 para 38 anuais. Além do aquecimento contínuo, os dados apontam que o Brasil passará a sofrer com até 13 ondas de calor prolongadas todos os anos.

O diretor presidente da i4sea, Mateus Lima, ressalta que o objetivo do estudo é dar visibilidade a esses dados para que governos e empresas possam planejar o futuro com clareza. Segundo o executivo, o calor deixará de ser um evento que acontece apenas em algumas estações para se transformar em um fator fixo a ser considerado na economia. Setores cruciais como saúde pública, energia, logística e infraestrutura urbana precisarão se antecipar a essa nova realidade, adaptando seus processos e estruturas para garantir a continuidade dos serviços e, acima de tudo, proteger a vida das pessoas diante do clima severo.

Notícias relacionadas