


A redução da distância entre os estudantes brasileiros e a média dos países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Pisa 2025 não representa, necessariamente, um avanço na qualidade do ensino nacional. Analistas educacionais apontam que o estreitamento da margem ocorreu em razão do recuo no desempenho geral das nações desenvolvidas, enquanto a pontuação do Brasil permaneceu em patamar estável nas três áreas avaliadas: leitura, matemática e ciências.

Os dados mostram que os alunos brasileiros registraram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências, mantendo o país abaixo da média do bloco internacional. Considerando que cada intervalo de 20 pontos equivale a aproximadamente um ano de escolaridade, a defasagem brasileira em matemática atinge cerca de 4,6 anos em relação aos países da organização. Embora o histórico entre 2006 e 2025 aponte um encurtamento do fosso educacional, especialistas alertam que a manutenção de índices estáveis ocorre em patamares baixos de proficiência, visto que apenas 28% dos estudantes atingiram o nível mínimo de aprendizado em matemática.
As análises destacam também o impacto das desigualdades socioeconômicas no desempenho escolar, agravado pelos reflexos da pandemia na trajetória dos estudantes. Em ciências, por exemplo, a diferença entre os alunos mais abastados e os mais vulneráveis alcançou 96 pontos, o que corresponde a quase cinco anos de escolarização. Além das disparidades de renda, os indicadores apontam carência de estudantes situados nos níveis mais avançados de raciocínio lógico e interpretativo.


A pesquisa contextual do exame abordou ainda a influência das tecnologias digitais no cotidiano das turmas. Embora 81% dos alunos brasileiros estudem em instituições com restrições ao uso de celulares — taxa superior à média de 49% registrada na OCDE —, a atração digital permanece como fator de dispersão no ambiente escolar. Os dados indicam aumento nos episódios de leitura superficial e fragilidade na capacidade crítica de avaliação de dados, mesmo com o avanço no uso semanal de ferramentas de inteligência artificial pelos estudantes para fins de estudo.







