quarta, 7 de outubro de 2026

Brasil investe um terço da média dos países desenvolvidos por estudante, aponta relatório da OCDE

O valor investido anualmente por aluno no Brasil equivale a apenas um terço da média aplicada pelos países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com os dados do relatório Panorama da Educação 2026, publicados nesta terça-feira (29), o gasto médio por estudante no sistema de ensino brasileiro — que abrange do ensino fundamental até a faculdade — foi de cerca de US$ 4.133 em 2023, enquanto os países membros da organização gastaram, em média, US$ 13.601 por aluno no mesmo período.

O levantamento, que reúne informações de 50 nações, revela que o indicador brasileiro fica atrás inclusive de vizinhos latino-americanos, como Chile e Costa Rica, que registraram investimentos por estudante superiores aos do Brasil. Os dados do relatório foram devidamente ajustados para equiparar as variações do custo de vida entre os diferentes territórios analisados.

A disparidade no orçamento individual por estudante ocorre mesmo com o Brasil destinando uma fatia maior de sua riqueza nacional à educação do que a média dos países desenvolvidos. Em 2023, o investimento público brasileiro na área representou 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), superando a média de 4% registrada entre os integrantes da OCDE. Especialistas apontam que essa aparente contradição se deve ao tamanho da população escolar do país, o que faz com que os recursos disponíveis sejam divididos entre um contingente muito maior de alunos, resultando em um montante reduzido para cada um.

O relatório também mapeia a destinação dos recursos ao longo das etapas de aprendizado, mostrando que tanto no Brasil quanto no exterior os aportes governamentais crescem conforme os estudantes avançam para os níveis mais elevados de ensino. No que diz respeito às despesas diárias de manutenção do sistema educacional, a remuneração de professores e profissionais de apoio representa a maior fatia do orçamento operacional nas escolas brasileiras, consumindo três quartos de todas as verbas correntes voltadas ao ensino fundamental.

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