sábado, 11 de julho de 2026

Brasil desenvolve radar próprio para carros com frenagem automática obrigatória em 2029

Uma parceria entre cientistas de universidades, institutos de pesquisa e gigantes da indústria automotiva deu início ao desenvolvimento de um sensor de radar 100% brasileiro. A tecnologia faz parte do sistema Adas — sigla em inglês para Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista —, que engloba recursos modernos de segurança, como a frenagem automática de emergência e o assistente que ajuda a manter o carro na faixa correta de direção. O projeto ganha ritmo de urgência, já que uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), órgão ligado ao Ministério dos Transportes, determinou que esses mecanismos de proteção serão obrigatórios em todos os veículos fabricados no Brasil a partir do dia 1º de janeiro de 2029.

O centro dessa inovação tecnológica fica no Nordeste, no Senai Park de Suape, localizado no litoral de Pernambuco. O espaço funciona como um polo de novos projetos tecnológicos mantido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai PE). Para tirar o radar do papel, o Senai PE está coordenando um investimento expressivo de 44 milhões de reais. O esforço financeiro e científico une instituições de peso, como as universidades federais de Pernambuco (UFPE) e de Brasília (UnB), além de grandes montadoras de veículos, a exemplo da Volkswagen e da Stellantis — grupo automotivo que comanda marcas populares como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën.

Na prática, o novo sensor vai funcionar em conjunto com as câmeras dos veículos para criar uma rede de proteção inteligente. O diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE, Oziel Alves, explica que o radar mede com exatidão a velocidade e a distância de objetos à frente do carro, enquanto a câmera identifica se o obstáculo é outro veículo ou um pedestre. Ao cruzar esses dados em tempo útil, o carro consegue avaliar riscos de acidentes e ativar os freios de forma totalmente sozinha. O processo, batizado pelos especialistas de “fusão sensorial”, evita alarmes falsos e aumenta a confiança no sistema. Para acelerar a criação do produto sem gastar tempo apenas com testes físicos, os engenheiros utilizam inteligência artificial e réplicas virtuais dos carros.

Além de proteger vidas no trânsito, a produção desse componente em solo nacional tem um forte impacto econômico ao diminuir a dependência do Brasil de peças importadas. A diretora regional do Senai PE, Camila Barreto, define o movimento como uma forma de adaptar as tecnologias para a realidade do país, revelando que o parque tecnológico também servirá de berço para a criação de baterias de lítio nacionais, essenciais para os novos carros elétricos e híbridos. Os representantes das indústrias acreditam que, ao dominar esse conhecimento técnico, o Brasil conseguirá baratear os custos de produção, gerar empregos especializados e tornar as montadoras locais muito mais competitivas no mercado global.

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