

O trânsito de pessoas pelas fronteiras brasileiras atingiu o maior patamar de sua história em 2025. Ao todo, foram registradas mais de 36,4 milhões de entradas e saídas do país, um crescimento de 15,6% em comparação com o ano anterior. Os dados foram revelados pelo Observatório Nacional dos Direitos Humanos, o ObservaDH, em uma divulgação que coincide com o Dia Nacional do Imigrante. O levantamento destaca que essa circulação intensa não se traduz necessariamente em mudança definitiva de país, mas sim em um vaivém cotidiano ligado ao turismo, negócios e viagens temporárias.

Os brasileiros lideram com folga as estatísticas, sendo responsáveis por 17,2 milhões das movimentações registradas no ano passado. Logo em seguida aparecem os turistas estrangeiros, que responderam por 14,7 milhões de passagens pelos postos de controle. Já as categorias de trânsito rápido, viagens temporárias e novos residentes somaram parcelas bem menores. De acordo com os analistas, essa proporção deixa claro que o fluxo nas fronteiras do Brasil é marcado principalmente por viagens de curta duração, refletindo uma forte integração internacional e a retomada das atividades globais.
Apesar do foco nas viagens temporárias, o Brasil também consolidou sua posição como um importante destino de acolhimento na América Latina. Após a forte queda provocada pela pandemia, o ingresso de migrantes voltou a crescer, registrando mais de 157 mil entradas no ano passado, número próximo ao recorde histórico atingido em 2023. O país também avançou na desburocratização, formalizando a permanência de quase 200 mil estrangeiros no último ano por meio de processos de regularização migratória.


O cenário de acolhimento humanitário é outro ponto de destaque no relatório, que aponta mais de 75 mil novos pedidos de refúgio no ano passado. Historicamente, os pedidos que eram residuais até o início da década passada dispararam com as crises humanitárias na Venezuela, Haiti e Síria. Atualmente, o Brasil abriga mais de 165 mil refugiados reconhecidos oficialmente. Especialistas do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania defendem que a diversidade desses novos moradores exige que o governo encare o tema não apenas como uma emergência passageira, mas sim como uma política de Estado permanente e bem planejada.







