

O Brasil alcançou uma marca histórica na educação ao registrar a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica em 2016. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua): Educação 2025, divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país encerrou o ano passado com 8,4 milhões de pessoas de 15 anos ou mais que não sabiam ler nem escrever. O número representa uma taxa de 4,9%, o que significa uma redução de cerca de 592 mil analfabetos em comparação com o ano anterior. Apesar do avanço nacional nos últimos nove anos, o analfabetismo ainda se concentra de forma acentuada no Nordeste, região que abriga 4,8 milhões dessas pessoas, o equivalente a mais de 57% do total do país.

O perfil do analfabetismo no Brasil mostra que o problema atinge principalmente a população mais idosa, reflexo de uma dívida educacional do passado. Cerca de 58% de todos os analfabetos do país têm 60 anos ou mais. Nesse grupo da terceira idade, a desigualdade racial é gritante: a taxa de analfabetismo entre pretos ou pardos chega a 20,6%, um índice quase três vezes maior do que o registrado entre a população branca, que é de 7,3%. Por outro lado, entre os jovens e adultos de 15 a 59 anos, o índice foi de apenas 2,6%, o que comprova que as novas gerações estão tendo maior acesso à alfabetização logo na infância. No recorte por gênero, houve uma virada histórica na população idosa, onde as mulheres passaram a apresentar uma taxa de analfabetismo menor do que a dos homens, apontando para uma superação gradual das desigualdades educacionais de gênero em todas as faixas etárias.
O relatório do IBGE também traz alertas importantes sobre a infância e a juventude no país. Na primeira infância, a maioria das crianças de zero a três anos que estão fora da escola não frequenta a creche por uma decisão dos próprios pais. No entanto, o segundo motivo mais citado pelos responsáveis é a falta de vagas, de escolas na região ou o impedimento da matrícula por causa da idade da criança. Na outra ponta, no grupo de jovens de 14 a 29 anos, o país contabilizou 7,7 milhões de pessoas que não concluíram o Ensino Médio. A grande maioria desse grupo é formada por homens e por pessoas pretas ou pardas.


Ao serem questionados sobre o motivo de terem deixado os estudos ou de nunca terem frequentado a escola, 43% dos jovens apontaram a necessidade de trabalhar como o fator principal. Outro dado que preocupa os especialistas é que mais de um quarto dos entrevistados declarou ter abandonado as salas de aula por falta de interesse em estudar. Esse índice voltou a subir, sugerindo um distanciamento entre o que as escolas oferecem e as expectativas da juventude. Como ponto positivo, o estudo revelou uma queda expressiva no total de jovens que não trabalham, não estudam e nem se qualificam profissionalmente. Esse grupo recuou para 17,5% da população dessa faixa etária, mostrando uma tendência de maior ocupação e busca por qualificação nos últimos anos.








