sexta, 10 de julho de 2026

Bombeiros de SP aplicam técnicas internacionais e trabalham em ritmo intenso no resgate de vítimas na Venezuela

Trabalhar no resgate de vítimas em uma cidade destruída por um terremoto vai muito além de possuir equipamentos de última geração. Antes de arriscar a vida entrando em qualquer prédio em ruínas, os profissionais precisam seguir regras internacionais rígidas, calcular os riscos de novos desabamentos, definir quais locais devem ser priorizados e aprender a trabalhar em perfeita sintonia com socorristas do mundo inteiro. É com base nessa preparação técnica rigorosa que os bombeiros do estado de São Paulo estão conseguindo atuar diretamente nas áreas mais castigadas pelo forte abalo sísmico que atingiu a Venezuela.

A delegação enviada pelo Corpo de Bombeiros paulista está concentrada na região central do estado venezuelano de Aragua, focando seus esforços principalmente nos municípios de Maracay e Turmero. O cenário encontrado pelos brasileiros nessas localidades é devastador, marcado por prédios totalmente destruídos ou caídos pela metade, ruas bloqueadas por toneladas de escombros e serviços básicos completamente interrompidos. Para garantir que o trabalho seja rápido e seguro, as equipes adotam os padrões da Insarag, uma entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) que serve como a maior referência global em resgates de desastres, permitindo que profissionais de diferentes países falem a mesma língua e colaborem de forma organizada.

A operação humanitária de São Paulo foi dividida em duas etapas de envio de pessoal. O primeiro grupo de ajuda, formado por 11 bombeiros, dois médicos militares e um especialista em Defesa Civil, decolou rumo ao país vizinho no dia 26 de junho. Pouco tempo depois, no dia 28, um segundo reforço composto por mais 16 bombeiros e outro agente da Defesa Civil embarcou para se juntar aos trabalhos. Nos bairros afetados, os militares aplicam um método minucioso de varredura que começa com uma análise visual rápida para mapear os perigos de desabamento e classificar a situação de cada imóvel. Só depois dessa triagem é que os socorristas entram de fato nas estruturas danificadas para retirar as pessoas presas em locais acessíveis, contando com a ajuda indispensável de cães de busca farejadores para localizar sobreviventes soterrados com maior precisão.

De acordo com a capitão Karoline Burunsizian, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, o treinamento contínuo e o faro dos cães são os grandes diferenciais para salvar vidas em cenários complexos como este. Outro ponto fundamental da estratégia brasileira é o planejamento logístico para não sobrecarregar a infraestrutura local, que já se encontra em colapso. A líder da missão paulista, major Daniela Santos Oliveira, explicou que a equipe foi preparada para ser totalmente autossuficiente. Isso significa que os brasileiros montaram seu próprio acampamento base e levaram seus próprios suprimentos de água, comida e ferramentas, garantindo que o grupo preste o socorro necessário sem disputar recursos escassos com a população local que enfrenta a tragédia.

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