sexta, 29 de maio de 2026

Bilhetes encontrados no esgoto de presídio motivaram investigação e prisão de Deolane Bezerra

Uma descoberta inusitada dentro das tubulações de esgoto de um presídio de segurança máxima deu origem à investigação que resultou na prisão da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra. Os agentes de segurança conseguiram resgatar e recuperar pedaços de papel com mensagens secretas lançadas na descarga de uma cela na penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Esses bilhetes serviram de fio condutor para que o Ministério Público e a Polícia Civil deflagrassem a Operação Vérnix, que foca no combate a um bilionário esquema de lavagem de dinheiro alimentado pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC.

Os manuscritos, interceptados originalmente no ano de 2019, traziam detalhes explícitos sobre o funcionamento interno da facção criminosa, esquemas de tráfico de entorpecentes dentro das próprias cadeias e planos detalhados para cometer atentados contra autoridades e agentes públicos. Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a menção de que uma mulher, ligada a uma empresa de transportes, havia fornecido dados e informações sigilosas para ajudar na execução desses ataques. A partir dessa pista, os policiais passaram a monitorar a transportadora e realizaram uma operação de busca em 2021. Ao analisar os celulares apreendidos naquela ocasião, o setor de inteligência descobriu transferências financeiras suspeitas para as contas de Deolane e revelou um forte vínculo comercial entre ela e um dos chefes ocultos da empresa.

A polícia civil sustenta que o enorme sucesso na internet e a imagem pública da influenciadora eram usados estrategicamente para mascarar a origem do dinheiro da facção, dando uma fachada de legalidade aos recursos que vinham de atividades criminosas. Os peritos financeiros identificaram que o padrão de vida luxuoso e a circulação de dinheiro nas contas da famosa eram totalmente incompatíveis com o faturamento de suas atividades profissionais declaradas. Com a quebra do sigilo bancário autorizada pela Justiça, foram detectadas transações atípicas e o envolvimento de empresas de fachada, que não tinham funcionários ou estrutura real para movimentar tantos recursos. Como resultado dessa fase da operação, o Poder Judiciário decretou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões, determinou o confisco de quatro imóveis e 17 veículos de alto padrão, além de ordenar a prisão preventiva de seis pessoas envolvidas no esquema.

Notícias relacionadas