


Após uma trajetória marcada por superação, a pequena Celine, de sete meses, prepara-se para deixar a Santa Casa de Araçatuba, no interior de São Paulo. A bebê, que nasceu em setembro de 2025, desafiou os prognósticos médicos iniciais que lhe davam apenas 48 horas de vida. Agora, a família vive a expectativa de levá-la para casa, dependendo apenas da conclusão de adaptações estruturais no imóvel para garantir a segurança da criança.

A jornada de Celine começou de forma dramática, sendo levada às pressas para a UTI Neonatal logo após o parto devido ao alto risco de morte. Na ocasião, os pais, Tais dos Santos Barcelar e Gabriel Alexandre Moreira da Silva, foram informados de que, caso a filha sobrevivesse, ela poderia permanecer em estado vegetativo. O diagnóstico revelou uma série de condições complexas, incluindo hidrocefalia, malformações no pulmão e no cérebro, além da síndrome de West, uma forma rara de epilepsia. A notícia foi um choque para o casal, já que as ultrassonografias realizadas durante o pré-natal não haviam indicado qualquer irregularidade.
A rotina da família nos últimos sete meses foi de dedicação exclusiva e revezamento constante no hospital, incluindo datas como Natal e Ano Novo. Diante das necessidades de Celine, que utiliza traqueostomia para respirar e sonda para se alimentar, a Justiça concedeu o direito de internação domiciliar, o chamado home care. No entanto, para que a transferência ocorra, a residência precisa contar com ar-condicionado ininterrupto, reforço na rede elétrica e mobiliário específico para os equipamentos médicos e a equipe de enfermagem que acompanhará a bebê.
Para viabilizar financeiramente essas mudanças e custear insumos como fraldas e sondas, a família iniciou uma campanha de solidariedade nas redes sociais, além de organizar rifas e contar com o apoio de amigos e da comunidade local. Paralelamente à adaptação da casa, os pais enfrentam outra disputa judicial para que o Sistema Único de Saúde (SUS) forneça o canabidiol, medicamento essencial para o controle das convulsões da menina. Apesar dos desafios que ainda virão, os pais celebram cada avanço da filha como uma vitória sobre as previsões iniciais da medicina.








