quarta, 1 de julho de 2026

Bares e restaurantes do Estado usam protocolo especial para proteger mulheres em noites movimentadas

O movimento intenso em bares e restaurantes por conta das celebrações do Dia dos Namorados acendeu o alerta para a segurança do público feminino na noite paulista. Para garantir que os momentos de lazer não sejam marcados por abusos, o Governo de São Paulo reforçou a divulgação do programa Não se Cale. A iniciativa estadual obriga e capacita os funcionários de estabelecimentos comerciais a acolherem e protegerem clientes que estejam enfrentando qualquer tipo de assédio, violência ou situação de risco. Atualmente, o estado já contabiliza mais de 117 mil trabalhadores de casas noturnas, restaurantes e bares devidamente treinados para agir nesses casos.

O treinamento foi criado pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo e é oferecido pela internet com o suporte do Procon-SP. Ao longo de 15 horas de aulas, garçons, caixas, seguranças e gerentes aprendem a identificar comportamentos suspeitos e sinais de alerta de forma rápida. O curso ensina as equipes a isolarem as vítimas com discrição, a prestarem o acolhimento inicial em salas reservadas e a preservarem evidências importantes, como as gravações das câmeras de monitoramento, que podem ajudar a polícia no registro das ocorrências. Além disso, os pontos comerciais devem instalar cartazes informativos em locais de grande circulação, incluindo os caixas e o interior dos banheiros femininos.

O reflexo prático dessa política pública já muda a percepção das clientes. Frequentadoras relatam que a exibição dos materiais de sinalização do programa traz um alívio imediato e funciona como um critério de desempate na hora de escolher onde passar a noite, pois demonstra o compromisso e a responsabilidade social do comércio. De acordo com a Secretaria de Políticas para a Mulher do Estado, Adriana Liporoni, o projeto oferece regras claras para que os estabelecimentos saibam exatamente o que fazer diante de uma agressão, transformando a vida noturna em um ambiente de respeito.

Na prática, o atendimento começa a partir de um gesto silencioso. Se uma cliente estiver sob ameaça, ela pode pedir socorro falando com qualquer funcionário ou usando o sinal universal de ajuda com as mãos, que consiste em levantar a palma da mão, dobrar o polegar para dentro e fechar os outros quatro dedos por cima dele. Ao notar esse gesto, o trabalhador treinado intervém sem alarde, retira a mulher de perto do agressor e a conduz a um espaço seguro para entender a gravidade da situação e acionar as autoridades ou o transporte de apoio. Profissionais do setor destacam que o olhar treinado evita conflitos maiores e salva vidas em datas festivas em que os salões ficam lotados.

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