


Hoje é o Dia Nacional da Doação de Leite Humano, mas, em Votuporanga e em todo o Estado as situações dos bancos de leite são iguais, demanda maior que a oferta. São 52 centros especializados no Estado que, de acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde, coletam em média 1,5 mil litros de leite por mês. Seria necessário, no mínimo, o dobro dessa quantidade para atender a demanda.

Em Votuporanga, o Banco funciona há seis anos, mas dificilmente passou por períodos de grande oferta. Segundo a coordenadora do órgão, Maria Alice Guimarães Riva, a média é de 12 doadoras por mês. Em setembro o Banco teve 13 doadoras para 25 receptores, 22 litros de leite coletados e 106 atendimentos realizados.
Maria Alice explica que, por Votuporanga não ter uma UTI Neonatal os bebês que precisam do leite doado não são prematuros, conseqüentemente, precisam de uma quantidade maior de leite. “Ao mesmo tempo, se atendêssemos bebês prematuros provavelmente seria uma quantidade maior de bebês. Hoje, o nosso problema é que o volume coletado não é suficiente para os bebês que precisam”, argumenta.


Um dos maiores receios das mães em doar leite é a dúvida de que um dia possa faltar o alimento para o próprio filho. Para acabar de vez com esse medo Maria Alice explica que isso não passa de um mito. “Quanto mais a mãe amamentar seu bebê mais leite ela produzirá”, garante.
As explicações são simples, quando o leite é retirado da mama, junto com ele saem os inibidores que interferem na produção. Se os hormônios de produção de leite estiverem sempre ligados com os receptores nas células da mãe, não terá espaço para os inibidores agirem contra esse processo. “Se a mãe não retira o leite, o hormônio perde lugar para esses inibidores de receptores, diminuindo e, conseqüentemente, acabando com a produção”, afirma.
A doação precisa de prescrição médica. A coordenadora afirma que o leite passa ser um medicamento e não mais um alimento, tamanha a necessidade. A prioridade é para os bebês prematuros, os que apresentam alergia a componentes do alimento, os que têm infecção intestinal e para aqueles que a mãe enfrenta problemas com a amamentação e, por algum motivo, precisam indispensavelmente do alimento.
Para Maria Alice é preciso que as mães com excesso de leite procurem o Banco para fazer a doação. “A maioria das mães produz quantidade maior que o necessário. Elas sentem as mamas cheias e doloridas logo depois da amamentação”, explica.
Para doar basta ligar no Banco de Leite que uma equipe vai até a casa da doadora com frasco onde será armazenado o alimento, a mãe receberá orientações de como coletar o leite, sempre após as amamentações, e toda sexta-feira a equipe vai até a casa delas.







