


A desinformação e a acomodação em relação aos cuidados com a saúde têm deixado milhares de gestantes desprotegidas contra doenças respiratórias graves em todo o país. Dados oficiais do Ministério da Saúde apontam que a cobertura vacinal entre grávidas permanece abaixo do ideal, especialmente no caso da covid-19, em que a taxa de imunização estagnou em apenas 55%, enquanto a vacina contra a gripe atinge cerca de 76% desse público. A meta recomendada pelas autoridades sanitárias para ambos os imunizantes é de 90%.

Especialistas alertam que a hesitação vacinal acarreta consequências graves. Desde 2022, centenas de gestantes e puérperas desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil em decorrência de complicações da Influenza e do coronavírus, resultando em dezenas de óbitos que poderiam ter sido evitados. Somadas, as duas infecções respondem por mais de metade das mortes registradas por complicações respiratórias nesse grupo prioritário no país. Durante a gravidez, o sistema imunológico passa por alterações naturais para aceitar o feto, o que torna o organismo feminino mais suscetível a quadros graves e a complicações como parto prematuro.
Além de proteger a mãe, a vacinação durante a gestação é a principal forma de garantir a imunidade dos bebês nos primeiros meses de vida. Como os recém-nascidos só começam a receber os imunizantes contra gripe e covid-19 a partir dos seis meses de idade, eles dependem exclusivamente dos anticorpos transferidos pela mãe por meio da placenta. O mesmo mecanismo de proteção indireta já se mostrou decisivo no combate a outras enfermidades, como o tétano neonatal, a difteria, a coqueluche e, mais recentemente, o vírus sincicial respiratório.


Médicos e entidades de saúde reforçam que todas as vacinas disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o período gestacional são seguras, testadas e não apresentam riscos de malformação ou danos ao bebê. A orientação das equipes médicas é que as gestantes mantenham a carteira de imunização atualizada em cada consulta do pré-natal, garantindo a proteção integral para a mãe e para o recém-nascido.







