segunda, 7 de setembro de 2026

Avanço da desertificação no Brasil ameaça 39 milhões de pessoas e atinge 18% do território

Cerca de 39 milhões de brasileiros vivem em áreas ameaçadas pela desertificação, processo de degradação ambiental no qual solos antes férteis perdem a capacidade de reter água e sustentar a vida. O problema é provocado principalmente por ações humanas, como desmatamento e uso inadequado da terra na agricultura, somadas às variações climáticas. A situação atinge populações vulneráveis e comunidades tradicionais, incluindo agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas e moradores de áreas rurais.

De acordo com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), cerca de 18% do território nacional é considerado suscetível ao fenômeno. Entre 2000 e 2020, a área afetada expandiu-se em 170 mil quilômetros quadrados, abrangendo áreas dos nove estados do Nordeste, além do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, do nordeste do Rio de Janeiro e do noroeste de Mato Grosso do Sul. Em 2023, dados do Inpe e do Cemaden identificaram a primeira região de clima árido do país, cobrindo seis mil quilômetros quadrados entre Pernambuco e Bahia.

A Caatinga é o bioma mais atingido pelo desgaste do solo, com 11% de sua extensão em estado crítico ou severo e mais de 42% da vegetação nativa desmatada. Apesar da degradação, o bioma desempenha papel relevante na absorção de carbono, retendo a maior parte desse elemento no próprio solo e auxiliando no equilíbrio climático. Diante desse cenário, soluções comunitárias como o “recaatingamento” e o uso de cisternas para captação de água da chuva vêm sendo aplicadas para restaurar áreas degradadas, garantir segurança hídrica e fortalecer a agricultura familiar.

Os desafios e as políticas públicas de enfrentamento à seca no país, a exemplo do Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e do Programa Recaatingar, estarão no centro dos debates da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que será realizada na Mongólia entre os dias 17 e 28 de agosto, com a participação de representantes do governo e da sociedade civil brasileira.

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