segunda, 11 de maio de 2026

Auditoria do TCU revela desperdício de R$ 260 milhões em vacinas compradas com validade curta

Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que a demora do Ministério da Saúde para contratar vacinas contra a Covid-19 resultou no desperdício de, pelo menos, R$ 260 milhões em doses da Coronavac. As doses foram adquiridas em 2023, durante o atual governo, após uma negociação que se arrastou por mais de sete meses. Devido a essa lentidão, os imunizantes foram entregues com um prazo de validade muito próximo do vencimento, o que dificultou sua utilização.

O prejuízo foi agravado pelo fato de que a compra ocorreu em um período de baixa procura pelas vacinas no Sistema Único de Saúde (SUS). Das 10 milhões de doses compradas, aproximadamente 8 milhões sequer saíram dos depósitos e precisaram ser jogadas fora após perderem a validade. O relatório do tribunal destaca que o atraso na formalização do contrato foi o principal motivo do problema, embora reconheça que o governo enfrentava o desafio de não formar estoques exagerados que não pudessem ser trocados.

Em sua defesa, o Ministério da Saúde argumentou que recebeu uma gestão de estoques problemática de anos anteriores e que seguiu recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), além de lidar com incertezas sobre novas variantes e a demanda da população. No entanto, os auditores rebateram essa justificativa, indicando que a própria pasta já tinha dados prevendo que a adesão à vacinação seria baixa. O TCU agora cobra explicações de ex-responsáveis pelo setor de compras e avalia se houve falhas graves na condução do processo, mas ainda não decidiu se haverá cobrança para devolução do dinheiro aos cofres públicos.

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