quarta, 12 de agosto de 2026

Ativistas pressionam Fifa para banir patrocínio de refrigerantes na Copa do Mundo

A grande final da Copa do Mundo está marcada para o próximo domingo (19), mas, se depender de um grupo de ativistas internacionais, esta será a última edição do torneio a contar com o patrocínio de fabricantes de bebidas açucaradas. Essa é a principal bandeira da campanha “Tirem o Refrigerante de Campo”, uma iniciativa global que pressiona a Federação Internacional de Futebol (Fifa) a rever seus contratos comerciais, especialmente com marcas gigantes como a Coca-Cola, que há décadas patrocina as competições da entidade.

A grande preocupação por trás do movimento é com a saúde pública. Diversos estudos apontam a forte ligação entre o consumo frequente de bebidas ricas em açúcar e o desenvolvimento de condições graves, como a obesidade, o diabetes tipo 2 e problemas cardíacos. Mais de 100 organizações da sociedade civil de todo o mundo apoiam a causa, incluindo oito brasileiras, como o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), o Instituto Desiderata e a Aliança pela Alimentação Saudável.

De acordo com dados divulgados pela própria campanha, o consumo diário de apenas um copo de 250 mililitros de bebida adoçada já é capaz de aumentar em 12% o risco de obesidade, em 19% as chances de desenvolver diabetes e em 13% a probabilidade de morte por problemas no coração. No caso das crianças e adolescentes, o impacto é ainda mais preocupante: uma única lata de refrigerante de 355 mililitros já ultrapassa todo o limite diário de calorias vindas de açúcares livres recomendado pelos médicos.

Buscando uma mudança de postura da Fifa, as entidades enviaram uma carta aberta ao presidente da instituição, Gianni Infantino, assinada também por cerca de 720 mil pessoas que apoiam a iniciativa pela internet. No documento, os ativistas acusam a federação de permitir a prática de sportswashing — termo em inglês que significa uma espécie de “maquiagem esportiva”, usada quando marcas de produtos nocivos à saúde associam sua imagem ao esporte e à vida saudável para limpar sua reputação.

Os organizadores alertam que, durante o torneio de 2026, até 6 bilhões de torcedores, incluindo milhões de crianças, serão expostos a comerciais que ligam os maiores craques do futebol mundial a produtos que causam doenças. Para a diretora executiva do Instituto Desiderata, Renata Couto, esse tipo de publicidade é altamente eficiente para fidelizar o público jovem desde muito cedo, o que acaba moldando hábitos alimentares ruins que trarão graves consequências de saúde a curto, médio e longo prazos. A campanha lembra que o mundo do esporte já viveu um movimento parecido no passado com a indústria do tabaco, que foi banida de patrocínios importantes, como os carros de Fórmula 1, na virada dos anos 2000.

A polêmica envolvendo os patrocinadores da Copa, no entanto, não se resume aos refrigerantes. A enxurrada de anúncios de plataformas de apostas online, conhecidas popularmente como bets, também tem gerado fortes debates entre as autoridades e a sociedade civil. No Brasil, o governo federal publicou recentemente novas regras rígidas para controlar essa publicidade, exigindo que todos os comerciais tragam alertas claros para os riscos de vício e perda financeira, deixando evidente para a população que apostar não é um investimento financeiro.

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