

No Dia Nacional do Diabetes, celebrado nesta sexta-feira, dia 26, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo divulgou dados que mostram um crescimento expressivo no número de pessoas que buscam tratamento contra a doença. Em um período de apenas um ano, os procedimentos ambulatoriais na rede pública paulista saltaram de quase 55 mil para mais de 108 mil atendimentos, o que representa um aumento de aproximadamente 97%. O reflexo também foi sentido nos hospitais do estado, onde as internações por complicações ligadas à doença subiram 12%, ultrapassando a marca de 26 mil registros no último ano. O ritmo acelerado continua neste ano, que já soma mais de 48 mil consultas e 8 mil internações apenas nos primeiros quatro meses.

Especialistas explicam que essa explosão de casos está diretamente conectada às transformações no estilo de vida moderno. O envelhecimento natural da população, combinado com altos índices de obesidade, falta de exercícios físicos e a forte presença de alimentos ultraprocessados na rotina das famílias, cria o cenário perfeito para o avanço da enfermidade. Médicos apontam ainda que os efeitos da pandemia de Covid-19 deixaram marcas profundas na saúde coletiva, já que o isolamento prolongado fez com que muitas pessoas abandonassem as atividades físicas e passassem a consumir mais produtos industrializados e calóricos.
Quando o diabetes não é descoberto cedo ou deixa de ser controlado de forma adequada, os prejuízos para o corpo humano são severos. A doença atua de maneira silenciosa e progressiva, elevando drasticamente os riscos de problemas graves no coração, como infartos, além de derrames cerebrais, falência dos rins e perda gradual da visão. Outra complicação frequente é o surgimento de feridas que não cicatrizam devido a danos nos nervos e na circulação sanguínea, uma condição que, nos casos mais extremos, pode levar à necessidade de amputação de membros.


A melhor estratégia contra a evolução desse quadro continua sendo a prevenção em todas as etapas da vida. Profissionais da saúde recomendam trocar os produtos industrializados por comida de verdade, priorizando o consumo de frutas, vegetais, grãos integrais e carnes magras, além de cortar o excesso de açúcar e refrigerantes. Para o corpo sair do sedentarismo, a orientação é que os adultos pratiquem ao menos duas horas e meia de atividades físicas por semana, enquanto crianças e jovens devem se movimentar por uma hora diária, reduzindo também o tempo gasto em frente a celulares, computadores e televisões. Pequenas perdas de peso, entre 5% e 10% do total corporal, já são capazes de proteger indivíduos com alta tendência a desenvolver a doença.
Para dar suporte à população nessa caminhada, o governo estadual vem reforçando o atendimento inicial por meio das Unidades Básicas de Saúde de cada bairro, que são a porta de entrada para exames e tratamentos. Com o objetivo de estruturar e melhorar a eficiência desses postos de atendimento na atenção primária, a secretaria estadual de saúde já distribuiu mais de R$ 1,5 bilhão para os 645 municípios de São Paulo. Esse repasse financeiro é vinculado ao cumprimento de metas de desempenho essenciais, focadas no monitoramento constante de pacientes que sofrem com diabetes e hipertensão arterial.







