quinta, 9 de julho de 2026

Ataques racistas e mensagens de ódio disparam na Copa do Mundo, revela relatório da Fifa

Os sistemas de monitoramento digital da Fifa acenderam um sinal de alerta vermelho durante a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Um relatório divulgado pela entidade máxima do futebol mundial revelou que foram identificadas 89 mil publicações abusivas direcionadas a atletas, técnicos e árbitros nas redes sociais. O número assusta por sua escala: representa uma explosão de 13 vezes no volume de ofensas em comparação com o mesmo período do Mundial do Catar, disputado em 2022.

Esse crescimento alarmante foi detectado pelo Serviço de Proteção às Redes Sociais da Fifa, que aumentou sua área de cobertura e analisou mais de seis milhões de postagens e comentários nas plataformas digitais. O preconceito racial foi um dos pontos mais graves do levantamento, correspondendo a 11% de todo o conteúdo agressivo encontrado — uma alta de 3% em relação à última Copa. De acordo com a Fifa, além do volume ter se multiplicado, houve uma piora severa na crueldade e na gravidade das mensagens disparadas contra os profissionais do futebol. Os jogadores holandeses Justin Kluivert, Quinten Timber e Crysencio Summerville, por exemplo, foram alvos de violentos insultos racistas na internet logo após desperdiçarem suas cobranças de pênalti na eliminação do país diante do Marrocos.

Para tentar conter essa onda de violência virtual, a ferramenta da entidade combina inteligência artificial com moderadores humanos, trabalhando nos bastidores para filtrar, ocultar e bloquear ameaças antes que elas cheguem aos celulares dos atletas ou fiquem visíveis para seus seguidores. Ao todo, os robôs do sistema conseguiram esconder de forma automática cerca de 181 mil comentários de ódio diretamente nos perfis oficiais das seleções. Além disso, mais de dois milhões de mensagens ligadas a perfis falsos, robôs e propagandas abusivas foram excluídas da rede durante as primeiras semanas de competição.

A Fifa explicou que parte desse aumento expressivo se deve à mudança no formato do campeonato, que passou de 32 para 48 seleções participantes, gerando naturalmente um engajamento muito maior na internet. No entanto, o monitoramento não vai se limitar apenas a apagar os comentários da tela. A entidade informou que o sistema de segurança digital evoluiu e agora atua na coleta de provas para os órgãos de segurança pública de diversos países. Pelo menos 100 casos graves de racismo e ameaças reais já foram encaminhados diretamente para a polícia para que os autores dos ataques virtuais respondam a processos criminais na Justiça.

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