

Novos ataques militares realizados por Israel na Faixa de Gaza deixaram pelo menos seis pessoas mortas neste domingo (12), incluindo uma menina de apenas 9 anos. A escalada de violência acontece no exato momento em que mediadores internacionais tentam avançar em novas negociações para garantir a manutenção do cessar-fogo que conta com o apoio dos Estados Unidos. Embora um acordo de trégua assinado em outubro de 2025 tenha interrompido os confrontos de maior escala na região, o pacto não conseguiu frear totalmente as investidas israelenses, que já resultaram na morte de mais de mil palestinos e de quatro soldados de Israel desde que entrou em vigor.

De acordo com informações de equipes médicas e autoridades de saúde palestinas, a criança Tala Abu Matar, de 9 anos, perdeu a vida após tiros disparados pelas forças israelenses atingirem um acampamento de barracas improvisadas no campo de refugiados de Al-Bureij, localizado na região central de Gaza. Questionado sobre o episódio, o Exército de Israel declarou que não tinha conhecimento do ocorrido. Em outro ponto, no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza, testemunhas relataram que três mísseis israelenses atingiram uma fundição de metal, provocando a morte de quatro pessoas. Os militares de Israel justificaram a ação alegando que o alvo era uma instalação de produção de armas usada por militantes do Hamas, classificando a atividade do grupo islâmico como uma violação direta do cessar-fogo. As Forças Armadas também informaram que, nos dias anteriores, mataram dois combatentes que planejavam ataques no norte do enclave. Mais tarde, no mesmo domingo, um novo bombardeio atingiu outra área de acampamentos em Khan Younis, no sul, matando mais uma pessoa e deixando várias crianças feridas.
Enquanto o conflito persiste nos bastidores, o cenário político em Israel começa a se desenhar para o futuro próximo. A coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu confirmou que o país passará por eleições nacionais no dia 27 de outubro deste ano. Essa será a primeira votação oficial desde os ataques sofridos em outubro de 2023 e as guerras subsequentes que envolveram Gaza, o Líbano e o Irã. Havia uma forte incerteza sobre o calendário eleitoral desde que o Parlamento votou por sua própria dissolução em maio, abrindo espaço para uma possível antecipação do pleito. Contudo, o líder da bancada governista, Ofir Katz, garantiu que a data original prevista em lei será rigorosamente mantida. Pesquisas de opinião locais indicam que a atual coalizão de direita de Netanyahu corre o risco de perder a maioria, refletindo a insatisfação de grande parte dos eleitores com a condução da segurança nacional e com o desfecho das recentes tensões militares na região.









