terça, 21 de julho de 2026

Argentina e Inglaterra reabrem semifinal histórica que mistura futebol, guerra e lendas das Copas

O aguardado confronto entre Argentina e Inglaterra nesta quarta-feira (15), em Atlanta, nos Estados Unidos, vale muito mais do que uma vaga na grande final da Copa do Mundo de 2026. Separadas geograficamente por um oceano, as duas nações entram em campo carregando uma das rivalidades mais intensas, curiosas e dramáticas do esporte mundial. O duelo, que promete parar o planeta, resgata uma rica bagagem que une lendas dos gramados, inovações nas regras do futebol e até as marcas deixadas por um conflito armado na década de 1980.

A história dessa rivalidade em Mundiais começou em 1962, no Chile, quando os ingleses venceram por 3 a 1 e eliminaram os argentinos ainda na primeira fase. Quatro anos depois, em 1966, os dois países se reencontraram nas quartas de final na Inglaterra, em uma partida tensa que mudaria o futebol para sempre. Na ocasião, o capitão argentino Antonio Rattín — falecido no último sábado (11) aos 89 anos e homenageado com luto pela seleção nesta Copa — foi expulso pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein. Sem entender o juiz devido à barreira do idioma, Rattín se recusou a sair de campo, exigindo a entrada da polícia para resolver a confusão. O episódio foi o estopim para que a Fifa criasse os cartões amarelo e vermelho, usados a partir da Copa de 1970 para facilitar a comunicação visual nos jogos.

Fora das quatro linhas, a tensão entre os povos atingiu o ápice em 1982 com a Guerra das Malvinas. O conflito armado pelo controle das ilhas no Atlântico Sul durou cerca de dois meses, terminou com a vitória britânica e deixou 904 mortos, sendo a maioria soldados argentinos. O clima de revanche histórica invadiu o campo na Copa seguinte, em 1986, no México, palco da partida mais famosa entre as seleções. Naquele dia, Diego Maradona comandou a vitória argentina por 2 a 1 com dois gols eternos: o polêmico gol de mão apelidado de “Mão de Deus” e, logo em seguida, uma obra-prima em que driblou metade do time inglês, gol este eleito em 2002 pela Fifa como o mais bonito da história das Copas.

Os anos seguintes mantiveram o roteiro cinematográfico do clássico. Em 1998, na França, a Argentina levou a melhor nos pênaltis após um empate por 2 a 2, em jogo marcado por um golaço do jovem inglês Michael Owen e pela expulsão do astro David Beckham após desentendimento com Diego Simeone. Beckham daria a volta por cima em 2002, na Coreia do Sul e no Japão, ao marcar o gol de pênalti da vitória por 1 a 0 que eliminou a Argentina na fase de grupos, no que foi o último encontro entre as duas equipes em Mundiais.

Curiosamente, o craque Lionel Messi, que era reserva no último amistoso entre os países em 2005, fará sua estreia contra os ingleses em partidas oficiais, sendo a Inglaterra a única seleção campeã mundial que ele nunca enfrentou defendendo seu país. Por outro lado, o futebol inglês é a casa de boa parte dos astros da atual seleção sul-americana. Cinco titulares absolutos da Argentina — o goleiro Emiliano Martínez, os zagueiros Lisandro Martínez e Cuti Romero, e os meio-campistas Enzo Fernández e Alexis Mac Allister — são grandes estrelas da Premier League britânica. Diante de tantos laços e memórias, a semifinal de quarta-feira promete adicionar mais um capítulo inesquecível à história do futebol.

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