quinta, 28 de maio de 2026

Após sete meses no IML, corpo de auxiliar de limpeza assassinada é sepultado em Andradina

O corpo da auxiliar de limpeza Luciana Brites Leite, de 49 anos, foi finalmente sepultado na manhã desta quinta-feira no cemitério de Andradina, após passar sete meses retido na câmara fria do Instituto Médico-Legal. A mulher havia desaparecido em 23 de setembro do ano passado e seus restos mortais foram localizados quase um mês depois, em uma área rural da cidade. A longa espera pela liberação do corpo, necessária para a realização dos exames da investigação, prolongou o sofrimento dos familiares, que aguardavam o momento para prestar as últimas homenagens e conseguir realizar a despedida.

As investigações da Polícia Civil apontam que o crime foi motivado por interesses financeiros e ganância. A cunhada da vítima, Tatiane Barreto Gobbi, e o genro de Tatiane, Elias Júnior Almeida, estão presos preventivamente pelo homicídio. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Tatiane, que é casada com o irmão de Luciana, controlava o dinheiro da família e abriu empresas de fachada utilizando ilegalmente o nome da auxiliar de limpeza. O assassinato teria sido planejado e executado justamente para esconder essas movimentações bancárias fraudulentas que vinham sendo realizadas pelas costas da vítima.

No dia do crime, Luciana cumpriu sua jornada de trabalho normalmente, mas reclamou de dores no braço. Tatiane se ofereceu para levá-la até a Unidade de Pronto Atendimento da cidade, onde a auxiliar permaneceu por cerca de uma hora e meia. Ao buscá-la na unidade de saúde, a cunhada deu a Luciana um forte remédio tarja preta, mantendo-a dopada dentro do veículo. Tatiane dirigiu pelas ruas do município até que o medicamento fizesse efeito completo e ela encontrasse um ponto isolado, em frente a uma usina, para cometer o assassinato. Próximo a uma área de mata, a agressora golpeou violentamente o rosto e a cabeça de Luciana com um objeto pesado, causando o traumatismo craniano que a levou à morte.

Para tentar criar um álibi e despistar as autoridades, Tatiane usou o próprio celular de Luciana para enviar uma mensagem de texto para si mesma, simulando que a cunhada havia saído com uma amiga para fazer compras. A farsa gerou desconfiança imediata nos parentes, pois a auxiliar de limpeza tinha o hábito de comunicar-se apenas por mensagens de áudio. Após o assassinato, Tatiane recorreu à ajuda de seu genro, Elias, que utilizou galhos e troncos de árvores para esconder o cadáver na vegetação e inventou histórias falsas para confundir a polícia e a família durante as buscas. Tatiane agora responde por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e emboscada, além de ocultação de cadáver e fraude no processo, enquanto Elias responde pelos crimes de esconder o corpo e atrapalhar as investigações.

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