quarta, 22 de julho de 2026

Após graves acidentes e morte na região, Bombeiros alertam para o perigo das linhas cortantes de pipa

Os recentes acidentes provocados por linhas de pipa na região de São José do Rio Preto acenderam um sinal de alerta e levaram o Corpo de Bombeiros a reforçar as orientações sobre os riscos do uso de cerol e da linha chilena. O aviso da corporação ganhou força após dois episódios dramáticos: um motociclista que sobreviveu a um corte profundo no pescoço no bairro Fraternidade, em Rio Preto, precisando levar 35 pontos, e a morte do professor Fábio José Colombo, de 49 anos, que faleceu após ser atingido por uma linha com cerol enquanto pilotava sua moto em uma estrada vicinal em Santa Adélia. O caso do professor está sendo investigado pela Polícia Civil como homicídio.

Embora empinar pipa seja uma brincadeira tradicional, especialmente nos meses de férias escolares e de ventos fortes, os bombeiros explicam que a utilização de materiais cortantes transforma a diversão em um perigo fatal. O cerol é uma mistura caseira de cola com vidro moído ou pó de ferro, enquanto a linha chilena é feita industrialmente com quartzo e óxido de alumínio, possuindo um poder de corte ainda maior. Por serem muito finas e estarem sob forte pressão, essas linhas funcionam como verdadeiras lâminas invisíveis. As principais vítimas são motociclistas e ciclistas, atingidos no pescoço ou no rosto, sofrendo desde lesões superficiais até cortes profundos em artérias que causam hemorragias fatais em poucos minutos. Pedestres, skatistas e o risco de choques elétricos e blecautes quando a linha se enrosca na fiação de energia também preocupam as autoridades.

Para evitar novas tragédias, o Corpo de Bombeiros recomenda que as pipas sejam empinadas apenas em locais abertos, como parques e campos, totalmente longe de ruas movimentadas e postes de eletricidade. A orientação é nunca tentar recuperar pipas presas em fios, lajes ou telhados, além de não correr atrás de pipas soltas no ar para evitar atropelamentos. A principal regra, no entanto, é o abandono total de qualquer mistura cortante. Para quem anda de moto, a corporação aconselha a instalação da antena corta-pipa, um acessório metálico barato e muito eficiente que rompe a linha antes que ela toque o piloto. Pilotar com o farol ligado e redobrar a atenção perto de locais com grande concentração de pipeiros também são medidas preventivas fundamentais.

Apesar de a legislação do estado de São Paulo proibir a fabricação, a venda, a posse e o uso de cerol e linha chilena, os acidentes continuam se repetindo. Diante da indignação dos moradores, a Guarda Civil Municipal informou que vai intensificar a fiscalização nos bairros com mais reclamações. O trabalho de apreensão tem sido constante na região: foram recolhidos 269 carretéis de linha cortante e, no primeiro semestre, outras 77 apreensões já foram contabilizadas, em uma tentativa contínua de retirar o perigo das ruas e proteger a vida da população.

Notícias relacionadas