

Pela primeira vez em mais de vinte anos, a corrida pela Presidência da República não contará com a presença de José Maria Eymael. O político de 86 anos, que se tornou uma figura icônica das eleições brasileiras, decidiu se afastar da vida pública após deixar o comando nacional da Democracia Cristã (DC) em 2025. Com sua ausência, o tradicional jingle “Ey, Ey, Eymael”, que embalou seis das últimas sete campanhas presidenciais, também deixará de ecoar no horário eleitoral gratuito deste ano.

A trajetória de Eymael nas urnas começou a ganhar destaque nacional em 1998, ano em que obteve sua maior votação absoluta, com cerca de 171 mil votos. Desde então, ele esteve presente em quase todos os pleitos, com exceção de 2002. Embora nunca tenha alcançado um desempenho expressivo em termos de porcentagem — seu melhor resultado foi o quinto lugar em 2010 —, o político consolidou sua imagem no imaginário popular brasileiro graças à música de campanha criada originalmente em 1985. A composição de José Raimundo de Castro transformou o nome do candidato em um dos slogans mais memoráveis da história política do país.
Para a sucessão deste ano, a Democracia Cristã passará por uma renovação sob o comando de João Caldas. A legenda escolheu o ex-ministro Aldo Rebelo, que ocupou pastas importantes nos governos de Lula e Dilma, para representar a sigla na disputa pelo Palácio do Planalto. A mudança marca o fim de uma era para o partido, que foi refundado e liderado por Eymael desde meados da década de 80.
Além do papel como candidato persistente, José Maria Eymael deixa um legado histórico como deputado constituinte. Durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1988, ele foi um parlamentar ativo, apresentando mais de cem propostas para o texto constitucional. Sua atuação mais lembrada no Congresso foi a defesa da inclusão da menção a “Deus” no preâmbulo da Constituição Federal, marca que reforçou sua identidade como um político ligado aos valores democratas-cristãos até o fim de sua carreira pública.









