domingo, 4 de outubro de 2026

Após centenas de consultas sem resposta, mulher descobre diagnóstico da filha com a ajuda de IA

Durante anos, Hilary Eaton buscou uma explicação para o fato de a sua filha mais nova ficar doente com tanta frequência.

A executiva do setor de biotecnologia em Boston (EUA) tinha que se desdobrar para conciliar o trabalho e os frequentes cuidados com Olivia, com a ajuda do marido, Matthew. A jornada médica de Olivia começou quase imediatamente após o nascimento. Ela não passou na triagem auditiva neonatal e, por volta dos 9 meses de idade, também não passou em um teste auditivo mais definitivo. Além disso, ela não estava sentando como o esperado. Durante o teste de audição, os técnicos esperavam que Olivia sentasse sozinha em uma cadeira. Eaton soube imediatamente que isso não aconteceria.

Hilary com Olivia Eaton: menina enfrenta problemas de saúde desde que nasceu — Foto: Reprodução/Instagram
Hilary com Olivia Eaton: menina enfrenta problemas de saúde desde que nasceu — Foto: Reprodução/Instagram

Num só ano, foram mais de 150 consultas médicas, além de 49 especialistas visitados, testes genéticos, incontáveis exames de sangue, fisioterapia e terapia ocupacional. Cada médico tinha uma teoria, mas nada parecia explicar todos os sintomas de Olivia.

Foi então que Hilary, de 42 anos, decidiu tentar algo que não havia considerado antes: uma ferramenta de IA.

“Pensei: ‘Quer saber? Dane-se. Vou simplesmente colocar tudo isso no ChatGPT'”, disse ela à revista “People”.

A americana começou a alimentar a ferramenta de IA com informações do histórico médico de Olivia — incluindo prontuários, observações e dados genéticos — e pediu que ela identificasse padrões e possíveis conexões. Uma das possibilidades apontadas pela ferramenta foi a imunodeficiência comum variável, um distúrbio imunológico raro. O sistema também indicou pistas genéticas que Hilary poderia investigar com sua equipe médica.

Hilary ressalta que o ChatGPT não diagnosticou sua filha. Em vez disso, segundo ela, a ferramenta a ajudou a organizar anos de informações e a definir quais perguntas fazer em seguida. Ela também informou ao ChatGPT sobre seu histórico científico e solicitou explicações técnicas e referências bibliográficas para que pudesse verificar, de forma independente, as informações fornecidas pela ferramenta. O processo acabou levando-a a considerar problemas no sistema imunológico e pistas genéticas que ela não havia levado em conta anteriormente.

“O ChatGPT me indicou onde procurar. Eu encontrava a informação e pensava: Certo, são dados concretos que posso levar aos médicos”, afirmou a americana, destacando que não estava pedindo a um chatbot de IA que substituísse seus médicos.

Olivia Eaton — Foto: Reprodução/Hilary Eaton
Olivia Eaton — Foto: Reprodução/Hilary Eaton

Então, Hilary levou as informações à sua equipe médica, e as descobertas foram avaliadas de forma independente por um laboratório clínico. Uma análise genética mais aprofundada confirmou o diagnóstico de imunodeficiência comum variável, bem como mutações genéticas associadas. Para Olivia, os resultados também ajudaram a confirmar uma síndrome rara do neurodesenvolvimento e a relacioná-la aos problemas do sistema imunológico, incluindo a disfunção das células B.

Isso levou à realização de infusões mensais de imunoglobulina intravenosa (IVIG), que fornecem anticorpos para ajudar a protegê-la contra infecções.

Antes do tratamento, Olivia, hoje com 7 anos, faltava tanto à escola que a família recebia notificações da direção do colégio sobre as ausências. No ano letivo seguinte, ela faltou apenas cerca de três dias.

“É isso. A mudança na vida dela foi enorme”, celebrou a mãe.

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