

Uma moradora de São José do Rio Preto, hoje com 41 anos, decidiu tornar pública uma história de dor guardada por mais de três décadas. Regiane Oliveira relata ter sido vítima de abusos sexuais cometidos por um tio durante quatro anos de sua infância, entre os 8 e os 12 anos de idade. A decisão de romper o silêncio e buscar justiça ocorre 34 anos após o início da violência, revelando como traumas dessa natureza podem ecoar por toda a vida adulta se não forem devidamente acolhidos e tratados.

Segundo o relato de Regiane, o agressor morava na mesma residência e utilizava ameaças constantes para garantir que ela não contasse o que acontecia aos familiares. O medo de que a mãe fosse agredida ou que suas irmãs sofressem o mesmo destino aprisionou a vítima em um ciclo de culpa e vergonha. Esse sofrimento prolongado acabou transparecendo em outros comportamentos na maturidade, como crises emocionais severas e a dependência química, que ela descreve como uma tentativa de anestesiar a dor que não conseguia explicar.
A mudança de trajetória começou quando Regiane buscou atendimento psicológico no Instituto Nação Valquírias, uma entidade de referência no acolhimento de mulheres em Rio Preto. No processo terapêutico, ela compreendeu que o silêncio acumulado pesava em sua autoestima e saúde emocional. Ao falar sobre o assunto, ela deu o primeiro passo para a libertação e agora pretende formalizar a denúncia à polícia, ressaltando que sua motivação atual é a busca por dignidade.
O caso de Regiane ganha destaque em um momento de alerta para a segurança pública na região. Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública mostram que os registros de estupro em São José do Rio Preto cresceram 66% em janeiro de 2026 comparado ao mesmo período do ano anterior, sendo que os casos envolvendo vulneráveis subiram mais de 70%. Para especialistas e autoridades, esse aumento pode indicar que as vítimas estão se sentindo mais encorajadas a denunciar, embora a violência doméstica ainda seja o cenário mais comum para esses crimes devido à proximidade entre agressor e vítima.
A rede de apoio em Rio Preto tem sido fundamental para que mais mulheres encontrem coragem. Projetos como o Acolher, no Hospital de Base, oferecem suporte médico e psicológico especializado. A mensagem de Regiane para outras mulheres que passaram por situações semelhantes é de solidariedade: ela reforça que ninguém está sozinho e que falar é a única forma de deixar de proteger o agressor.









