

Uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel e divulgada nesta quarta-feira, dia 3 de junho, revela que a postura dos candidatos em relação às maiores facções criminosas do país pode influenciar fortemente a escolha dos eleitores nas próximas eleições de outubro. Segundo o levantamento, 50,8% dos brasileiros afirmam que votariam com maior facilidade em um político que se posicione a favor de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em contrapartida, 33,6% dos entrevistados declararam que preferem apoiar candidatos que sejam contrários a essa medida, enquanto 15,7% indicaram que o assunto não terá peso na hora de decidir o voto.

O debate ganhou força após o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciar, no final de maio, a inclusão das duas facções brasileiras em sua lista de grupos terroristas. A decisão divide opiniões no cenário político nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou contra a medida adotada pelos americanos, justificando que esse tipo de classificação abre precedentes perigosos para a interferência de governos estrangeiros em assuntos internos e coloca em risco a soberania do Brasil. Por outro lado, a oposição defende a iniciativa, tanto que o senador Flávio Bolsonaro chegou a viajar para a Casa Branca para demonstrar apoio à decisão dos Estados Unidos.
A pesquisa também buscou entender o nível de receio da população em relação ao envolvimento de Washington na política local. Os resultados apontam que 45,5% dos cidadãos não demonstram nenhuma preocupação com uma possível interferência do governo norte-americano nas eleições presidenciais do Brasil. Já o grupo dos que se dizem muito preocupados soma 36,5% dos entrevistados, seguidos por 10,9% que estão pouco preocupados e 6,9% que se consideram algo preocupados. Para colher esses dados, a AtlasIntel consultou 1.273 pessoas de forma digital e aleatória entre os dias 30 de maio e 3 de junho, trabalhando com uma margem de erro de três pontos percentuais e um nível de confiança de 95%.







