

A chegada da vacina contra a Covid-19 no fim de 2020 salvou milhões de vidas. Mas também mobilizou um grande número de céticos, que se apoivam muitas vezes em teorias da conspiração.

Uma integrante desse grupo é Genna Betros. Ela via com desconfiança a rapidez com que a vacina foi desenvolvida e o apoio do governo dos EUA à iniciativa.
Genna cresceu numa família vegetariana e politicamente independente em Nova Jersey. Dores de cabeça eram tratadas com óleo de hortelã-pimenta antes de se recorrer ao analgésico vendido em farmácia. Ela foi acostumada a desconfiar de médicos. Para ela, entre outras questões “suspeitas”, os médicos estão subordinados à indústria farmacêutica, conforme relato feito pelo “Washington Post”.


A americana de 27 anos, pelo menos no campo amoroso, seguia a tendência, mantendo perfis em aplicativos de namoro como o Hinge e o Bumble. Até que um dia ela se deparou com o Unjected.
O Unjected é uma ferramenta criada em 2021 basicamente unir pessoas não vacinadas. Ou, em outras palavras, como Genna gosta de dizer, “pessoas que desejam se manter firmes pela família e não se curvar ao que a TV diz”.
Genna deu match com Corey Deemer, da Filadélfia. Ela levou duas semanas para responder à mensagem dele. Quando descobriu que Corey morava a cerca de uma hora e meia dela, marcou um encontro num bar no meio do caminho.
Corey, aprendiz de eletricista de redes de distribuição de 28 anos, ficou encantado com o que viu.
“Ela apareceu e iluminou o ambiente”, recordou.
O Unjected se descreve como uma plataforma para conectar “aqueles que compartilham valores semelhantes e a convicção de permanecerem não vacinados”. O match entre Genna e Corey foi “perfeito”. Tanto que os dois se casaram.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_1f551ea7087a47f39ead75f64041559a/internal_photos/bs/2026/W/V/rOjUfNSy2nBxtZjYAzvQ/blog-unjected.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_1f551ea7087a47f39ead75f64041559a/internal_photos/bs/2026/G/q/r8QjyrQ4yKrrlp5vlWKg/blog-unjected-2.jpg)
A maior parte de seus 65 mil usuários ativos tem entre 25 e 45 anos. Muitos se identificam como politicamente independentes, espiritualizados, vegetarianos ou veganos, de acordo com Scott Armstrong, diretor de operações da plataforma.
Segundo Armstrong, a grande maioria dos usuários do Unjected não gosta de ser chamada de seguidora de Donald Trump, cujos partidários são acusados de muitas vezes ir na contramão da ciência e que têm na figura do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., um dos seus maiores expoentes. Publicamente, ele se mostra contrário a políticas de imunização em massa.
“Quem inventou a vacina? Donald Trump. Não há qualquer simpatia por Trump por aqui. Na verdade, é exatamente o oposto”, declarou ele.
As maiores bases de usuários estão em cidades que adotaram algumas das medidas de confinamento mais rigorosas durante a pandemia: Portland, Denver, Toronto e Phoenix. Em termos de estados, a Califórnia lidera.
O sucesso da iniciativa veio também com muitas críticas. Quando a Unjected promoveu encontros de usuários neste ano, o “Denver Post” se posicionou duramente: “Antivacinas têm a chance de se apaixonar por outras pessoas que não entendem de ciência”.
A indignação está calcada em números: a queda nas taxas de vacinação provocou o ressurgimento de algumas doenças infecciosas, colocando bebês, idosos e pessoas imunocomprometidas em risco particular, segundo especialistas em saúde pública. Dados divulgados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA mostram que as isenções não médicas para vacinas infantis atingiram um nível recorde. Ao mesmo tempo, relatórios do CDC indicam um aumento nos casos de coqueluche e outras doenças preveníveis por vacinação — e, no caso do sarampo, a ocorrência de surtos como não se via há décadas.







