domingo, 11 de outubro de 2026

Apenas 19% dos motociclistas de aplicativo possuem proteção previdenciária no Brasil, revela IBGE

Um levantamento inédito divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revela uma grave situação de vulnerabilidade entre os trabalhadores que utilizam motocicletas para entregas e transporte por aplicativos no país. Das cerca de 405 mil pessoas atuando nessa categoria em 2025, apenas 79 mil contribuem para a previdência social, o que representa uma taxa de cobertura de 19,4%. O índice significa que quatro em cada cinco motociclistas de plataformas estão desamparados caso necessitem de benefícios por incapacidade, auxílio-doença ou aposentadoria, contraste marcante com a taxa geral de cobertura do setor privado nacional, que atinge 62,4%.

Os dados fazem parte de um módulo especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua focado no trabalho plataformizado. De acordo com os analistas do instituto, o baixo nível de proteção social chama a atenção devido ao alto risco inerente à atividade profissional cotidiana no trânsito. O estudo aponta ainda uma forte expansão da categoria no país, cujo contingente de motociclistas cadastrados em serviços de entrega e transporte praticamente dobrou entre 2022 e 2025, passando de 211 mil para 405 mil trabalhadores.

Em termos financeiros e de rotina de trabalho, os motociclistas de aplicativos registraram um rendimento médio mensal de R$ 2.221 livres de custos com combustível e manutenção. A jornada média dessa categoria alcançou 44,9 horas semanais, gerando um ganho de R$ 11,40 por hora trabalhada, valor aproximadamente 13% superior ao recebido por motociclistas que atuam fora das plataformas digitais.

A pesquisa também traçou o panorama dos motoristas de transporte de passageiros por aplicativo, grupo que reuniu 905 mil profissionais em 2025. Diferentemente dos motociclistas, os motoristas de automóveis integrados às plataformas apresentam rendimento por hora inferior ao dos condutores tradicionais fora dos aplicativos. Cumprindo uma jornada semanal média de quase 46 horas, os motoristas de aplicativos recebem R$ 14,40 por hora, frente aos R$ 16,00 recebidos pelos demais profissionais do setor, sendo que apenas 25,5% desse grupo mantêm pagamentos em dia com o sistema previdenciário.

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