

Quando cursava o sexto ano do ensino fundamental em Taguatinga, no Distrito Federal, a jovem Ana Carolina Gino descobriu sua paixão pela tecnologia ao montar uma maquete móvel do sistema solar nas aulas de robótica. Bolsista na escola do Serviço Social da Indústria (Sesi), ela mal sabia que aquela experiência na adolescência traçaria o rumo de sua vida profissional. Uma década depois, aos 23 anos, Ana Carolina coordena o suporte de sistemas da maior empresa de tecnologia financeira voltada para energia solar no Brasil. Histórias de superação como a dela traduzem o impacto do Sesi, instituição que completou exatos 80 anos de fundação no dia 1º de julho, consolidada como um dos pilares da educação e da qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.

Nascido em 1946, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, o Sesi surgiu em um momento em que o Brasil debatia intensamente sua industrialização e urbanização. Idealizada por empresários liderados por Roberto Simonsen e apoiada por sindicatos, a instituição nasceu com o propósito de garantir melhores condições de vida para a classe operária e combater o analfabetismo, que afetava mais da metade da população da época. Entre os ilustres funcionários de sua história está o professor Paulo Freire, patrono da educação brasileira, que atuou efetivamente na entidade por 19 anos a partir de 1947, desenvolvendo as bases de seu método revolucionário de alfabetização.
Atualmente, o Sesi mantém sua essência voltada ao atendimento gratuito e com descontos para os filhos dos trabalhadores industriais. A rede conta com 468 escolas espalhadas por 377 cidades do país, somando mais de 390 mil matrículas na educação básica no último ano. O grande destaque atual vai para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), oferecida de forma totalmente gratuita em unidades fixas, móveis e até dentro de canteiros de obras de empresas, permitindo que mais de 70% dos trabalhadores da indústria atual concluam o ensino médio.


Além da forte atuação no ensino, a instituição desempenhou um papel vital na saúde pública antes mesmo da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), na década de 1980. Hoje, o Sesi possui mais de 500 unidades de atendimento médico e 222 centros focados em segurança do trabalho. Somente em 2025, os serviços de saúde da entidade beneficiaram 4,4 milhões de pessoas em mais de 76 mil empresas, incluindo a aplicação de 881 mil vacinas em operários e seus dependentes. A atuação da marca se estende ainda ao cenário cultural, acumulando quase 300 espaços de lazer e arte por todo o território nacional.
Para celebrar as oito décadas de atuação, o museu interativo Sesi Lab, em Brasília, abrirá ao público no próximo sábado (4) uma exposição histórica especial com mais de 400 imagens, documentos e relíquias, incluindo a “Carta da Paz Social”, documento de fundação da entidade que defende a união entre patrões, empregados e o governo para o crescimento do país. Para fechar as comemorações do final de semana, o espaço também sediará um show gratuito do cantor Zeca Baleiro, aberto a toda a população.







