domingo, 12 de abril de 2026

Anvisa proíbe suplemento importado por risco de bactéria resistente a antibióticos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição de 52 lotes do suplemento alimentar “Dietary Supplement Rosabella Moringa Capsules”, fabricado pela empresa norte-americana Ambrosia Brands. A medida foi tomada após o produto ser associado a um surto de contaminação nos Estados Unidos por um tipo específico de Salmonella. O alerta é agravado pelo fato de a bactéria identificada apresentar resistência tanto a antibióticos comuns quanto a medicamentos alternativos, o que dificulta o tratamento de possíveis infecções graves em consumidores.

A Salmonella é conhecida por causar a salmonelose, uma infecção que ataca o sistema digestivo e provoca sintomas como febre, diarreia e fortes cólicas abdominais entre 12 e 72 horas após o consumo. Embora a maioria dos casos dure cerca de uma semana, o risco é consideravelmente maior para grupos vulneráveis, como crianças pequenas, idosos e pessoas com imunidade baixa. Nestes pacientes, a bactéria pode se espalhar pelo corpo e causar complicações severas no coração ou nas articulações, exigindo terapias com remédios mais potentes devido à resistência da cepa encontrada no suplemento.

Além do risco biológico imediato, a Anvisa reforça que qualquer produto feito à base da planta Moringa oleifera já é proibido no Brasil desde 2019. A agência explica que não existem evidências científicas que garantam a segurança do consumo humano desta planta em nenhuma de suas formas, seja em cápsulas, chás ou pós. Avaliações técnicas anteriores não puderam descartar a possibilidade de a moringa causar danos ao material genético ou lesões graves ao fígado, o que mantém o veto à sua comercialização em território nacional.

Até o momento, a Anvisa não identificou a entrada oficial desses lotes específicos no Brasil para venda comercial, mas a proibição tem caráter preventivo. A preocupação das autoridades recai sobre as plataformas de comércio eletrônico, que permitem a compra direta do exterior por pessoas físicas. A agência também alerta para propagandas enganosas que atribuem à moringa propriedades de cura para doenças graves como o câncer e o diabetes. Consumidores são orientados a não adquirir o produto e a denunciar anúncios suspeitos, lembrando que itens sem informações em português ou que prometem milagres terapêuticos operam de forma irregular no país.

Os lotes afetados pela decisão compreendem as sequências numéricas iniciadas em 502, 503, 504, 505, 506, 508, 509 e 510, totalizando 52 identificadores que devem ser evitados. Caso alguém tenha adquirido o suplemento com essas numerações, a recomendação é interromper o uso imediatamente e descartar o produto. Os canais oficiais da Anvisa seguem abertos para receber relatos de estabelecimentos ou sites que ainda ofereçam o item para venda.

Notícias relacionadas