

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, nesta sexta-feira, manter a proibição sobre a fabricação e venda de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca Ypê cujos lotes terminam com o número 1. A maioria dos diretores da agência entendeu que as explicações dadas pela empresa até agora não são suficientes para garantir a segurança dos consumidores. Segundo a Anvisa, foram encontradas falhas graves no controle de qualidade e a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de cem lotes diferentes, o que motivou a retomada de uma medida restritiva publicada originalmente em maio.

Durante o julgamento, os diretores ressaltaram que o histórico de problemas na produção da unidade da Química Amparo, no interior paulista, exige uma postura cautelar. O diretor Thiago Campos defendeu que, em questões de saúde pública, a agência não pode esperar que um dano grave aconteça para tomar uma atitude. A fiscalização que deu origem ao caso identificou que o sistema de higiene e garantia sanitária da fábrica apresentava deficiências que permitiram a contaminação. Embora a decisão ainda possa sofrer mudanças caso algum diretor peça mais tempo para analisar o processo, a ordem atual é que os produtos citados continuem fora das prateleiras.
Especialistas explicam que a bactéria encontrada não costuma causar doenças em pessoas com a saúde em dia, mas representa um risco real para grupos mais vulneráveis. Idosos, pacientes em tratamento de câncer, pessoas com feridas abertas ou com o sistema imunológico enfraquecido podem desenvolver infecções. Médicos orientam que quem utilizou os produtos e não sentiu nada não precisa se preocupar, mas recomendam interromper o uso imediatamente. Caso surjam sintomas como vermelhidão persistente na pele, febre ou irritações nos olhos, a orientação é buscar ajuda médica.
Além de parar de usar os itens dos lotes afetados, a recomendação é ter um cuidado extra com objetos que tiveram contato com o sabão ou detergente sob suspeita. Panos de prato, roupas de bebê e toalhas devem ser observados, e as esponjas de pia usadas com esses detergentes devem ser jogadas no lixo. Por outro lado, a Ypê criticou duramente a posição da Anvisa, classificando a medida como desproporcional. Em nota, a fabricante afirmou que não houve contaminação nos produtos que chegaram ao mercado e alegou que os problemas apontados na inspeção ocorreram em áreas da fábrica que não afetam diretamente os itens vendidos aos consumidores.







