segunda, 10 de agosto de 2026

Amamentação reduz riscos cardiovasculares na mulher e renova o metabolismo materno

O ato de amamentar traz benefícios significativos para a saúde do coração das mães, indo muito além dos cuidados com o bebê. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, mulheres que amamentam têm cerca de 11% a menos de chance de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação às que não amamentam. O impacto protetivo é ainda maior em períodos prolongados de aleitamento, em torno de 18 meses acumulados, quando o risco de infarto cai 14% e o de acidente vascular cerebral diminui 12%.

A explicação médica para essa proteção está na capacidade que o organismo feminino tem de realizar uma espécie de reinicialização metabólica durante a lactação. Durante a gravidez, o corpo da mulher naturalmente eleva os níveis de lipídios, colesterol ruim e resistência à insulina, além de acumular reservas de gordura. Ao amamentar, o corpo utiliza esses estoques energéticos, melhorando a sensibilidade à insulina, reduzindo a pressão arterial e a frequência cardíaca. Esse processo ameniza o esforço do coração para bombear sangue e previne quadros graves como a diabetes.

Além da reorganização do metabolismo, a proliferação de hormônios específicos na fase da lactação atua como uma barreira protetora para o miocárdio. Um dos principais responsáveis é a ocitocina, que estimula a dilatação dos vasos sanguíneos, melhora a circulação e protege o tecido cardíaco contra a falta de oxigênio. Especialistas reforçam que essa proteção é fundamental para a saúde feminina, já que os problemas cardiovasculares respondem por 33% dos óbitos entre as mulheres, número sete vezes superior ao de mortes causadas pelo câncer de mama. Factores como hipertensão na gravidez, diabetes gestacional, menopausa precoce e síndrome dos ovários policísticos elevam ainda mais esses riscos no público feminino.

Os dados científicos ganham destaque durante as ações do Agosto Dourado e da Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2026, coordenada pela aliança global WABA. Médico e especialistas enfatizam que o aleitamento reforça os laços afetivos, favorece a recuperação da mãe no pós-parto, diminui a probabilidade do surgimento de tumores e oferece nutrição completa ao recém-nascido, garantindo vantagens econômicas, de saúde e de desenvolvimento infantil para toda a família.

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