

Um grupo de estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) de Araçatuba desenvolveu uma solução tecnológica para enfrentar um problema ambiental e de saúde pública silencioso: o descarte incorreto de remédios. O projeto, batizado de TampAI, consiste em uma lixeira automatizada que utiliza inteligência artificial para facilitar o recebimento de medicamentos vencidos ou sem uso, evitando que substâncias químicas contaminem o solo e a água. A iniciativa partiu dos alunos Rafael Batista Prescinato, Vitor de Assis Silva e Felipe Braga Beltran, todos de 17 anos, que identificaram a necessidade de um sistema mais eficiente e seguro para esse tipo de resíduo.

O funcionamento do equipamento prioriza a higiene e a praticidade, operando totalmente sem contato físico para reduzir riscos de contaminação. Através de sensores de presença, a tampa se abre automaticamente quando o usuário se aproxima e se fecha sozinha após o descarte. Internamente, um segundo sensor monitora o nível de preenchimento do recipiente, enviando dados em tempo real para uma plataforma digital. Essa conectividade permite que os responsáveis pelo recolhimento saibam exatamente quando o reservatório está cheio, evitando transbordamentos e otimizando a logística de coleta.
De acordo com os desenvolvedores, a motivação para o projeto surgiu ao perceberem que o descarte de remédios no lixo comum ou no esgoto é uma prática frequente, mas extremamente prejudicial. Quando descartados de forma errada, os componentes químicos podem atingir lençóis freáticos e cursos d’água, afetando a fauna, a flora e a própria saúde humana. Além do impacto ambiental, o descarte inadequado aumenta os riscos de intoxicações acidentais, especialmente com crianças, e a possibilidade de reutilização indevida de substâncias perigosas.
O protótipo levou cerca de sete meses para ser concluído e foi um dos destaques na Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), principal vitrine de inovação estudantil de São Paulo. Após o reconhecimento acadêmico, o objetivo dos jovens agora é levar a lixeira inteligente para o uso cotidiano da população. A proposta é que o equipamento seja instalado em locais de grande circulação, como farmácias, unidades de saúde e escolas, oferecendo uma alternativa viável e tecnológica para que a sociedade possa se desfazer de medicamentos de maneira responsável.








