


Os estudantes do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), campus da Unesp em São José do Rio Preto, iniciaram uma greve por tempo indeterminado para cobrar soluções para uma série de problemas que afetam o cotidiano universitário. A mobilização, organizada após reuniões entre os alunos, apresenta uma extensa lista de reivindicações que passam por reformas estruturais urgentes, melhorias na assistência estudantil e maior rigor no combate a casos de assédio dentro da instituição.

A situação da infraestrutura é uma das principais queixas dos manifestantes. Segundo os alunos, o campus sofre com precarização visível, como calçadas quebradas, falta de forro em salas de aula, iluminação precária e episódios de alagamentos em laboratórios e departamentos sempre que chove. O movimento também destaca a situação crítica da moradia estudantil, onde faltariam equipamentos básicos, como geladeiras e máquinas de lavar, além de problemas recorrentes no fornecimento de água e manutenção geral do prédio, o que comprometeria a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade.
Outro ponto central da paralisação envolve a questão financeira. Os estudantes denunciam cortes e atrasos em auxílios de permanência, essenciais para despesas com transporte e alimentação. Eles também manifestam preocupação com o orçamento da universidade diante da reforma tributária, temendo que a transição no modelo de financiamento reduza os repasses estaduais. No caso específico do Ibilce, a crítica é que a unidade recebe uma verba proporcionalmente menor que outros campi da Unesp. Além disso, o grupo cobra a contratação de mais professores efetivos e canais de acolhimento mais eficientes para vítimas de violência e assédio, alegando que os protocolos atuais nem sempre evitam o convívio com agressores.







Em resposta às reivindicações, a direção do Ibilce afirmou que mantém reuniões mensais com os moradores da moradia estudantil e que as demandas apresentadas recentemente já foram encaminhadas ou resolvidas. Sobre os auxílios, a universidade negou qualquer redução de valores ou atrasos, explicando que a liberação das verbas segue prazos administrativos necessários para a análise de quem tem direito ao benefício. A Unesp também destacou que, desde 2025, conta com uma pró-reitoria específica para ações afirmativas e equidade, focada justamente no combate ao assédio e no acolhimento de vítimas. Quanto à falta de docentes, a instituição reconheceu que a demanda ainda é alta, mas ressaltou que as contratações dependem do equilíbrio orçamentário que atenda a todas as 34 unidades da universidade no estado.























