sexta, 9 de outubro de 2026

Altas temperaturas e chuvas fora de época disparam o preço do limão tahiti; impacto atinge produtores da região

O consumidor brasileiro que pesquisou o preço do limão tahiti nos supermercados e feiras livres nos últimos meses se deparou com valores muito acima da média habitual para o período. A forte elevação nos custos é reflexo de uma retração acentuada na oferta da fruta, provocada por instabilidades climáticas que atingiram o cinturão citrícola paulista — região responsável por cerca de 80% da produção nacional —, aliada ao aumento do consumo interno impulsionado pelos dias mais quentes entre agosto e setembro.

Levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento indicam que o valor pago pela caixa de 27,2 quilos do produto ao agricultor acumulou um salto de 226% em apenas três meses, saltando de R$ 32,10 em junho para mais de R$ 104 em agosto. O repasse no atacado refletiu a pressão no campo: no entreposto da Ceagesp, na capital paulista, o preço por quilo sofreu uma disparada de 374% entre o início da entressafra e o pico das cotações em setembro. O impacto atingiu diretamente polos produtores importantes do noroeste paulista, como Bebedouro, Matão, Votuporanga e São José do Rio Preto, onde o excesso de umidade e a redução da luminosidade prejudicaram a qualidade das frutas e comprometeram a formação do fruto nas árvores.

Especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada ressaltam que o mercado de limão é historicamente volátil, mas observam que o cenário atual foi agravado pelo comprometimento das principais floradas do meio do ano. A expectativa de técnicos do setor é que a escassez comece a ser aliviada gradualmente a partir de meados de novembro, com a entrada da nova safra no mercado. No entanto, o setor produtivo mantém a atenção voltada para o comportamento do clima no final de ano, avaliando potenciais impactos das variações de temperatura no desenvolvimento dos pomares para a próxima temporada.

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