

Os motoristas brasileiros encontraram preços mais baixos na hora de abastecer no mês passado. Impulsionada pela forte concorrência com o etanol e pelas medidas de subsídio adotadas pelo Governo Federal, a gasolina registrou uma queda de 1,46% em maio. De acordo com os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta sexta-feira, dia 12 de junho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o combustível foi o item que individualmente mais ajudou a frear a inflação oficial do país, que fechou o período em 0,58%.

O recuo nos preços traz um respiro importante após dois meses consecutivos de fortes altas. Os reajustes anteriores haviam sido provocados pelo início do conflito geopolítico no Oriente Médio, no final de fevereiro, que desestruturou o mercado internacional de petróleo. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo mundial, e o barril do tipo Brent saltando de 70 para mais de 100 dólares, os derivados encareceram globalmente. No Brasil, o impacto foi imediato na gasolina, que subiu mais de 4,5% em março e quase 2% em abril, antes de finalmente recuar em maio.
Essa reviravolta a favor do consumidor tem duas explicações principais. A primeira delas é o aumento na oferta de etanol, que despencou 6,2% em maio e foi o segundo produto a mais segurar a inflação. O analista do IBGE Fernando Gonçalves explica que os produtores de cana-de-açúcar acharam mais vantajoso direcionar a safra para a fabricação do combustível em vez do açúcar. Como o mercado brasileiro possui uma enorme frota de carros flex, os postos foram forçados a baixar o preço da gasolina para que ela continuasse competitiva diante do etanol mais barato.
O segundo fator crucial para conter a escalada dos preços foi a política de subvenção financeira do governo. Esse mecanismo funciona como um reembolso de 44 centavos por litro pago diretamente a refinarias e importadores, que em troca repassam esse desconto aos motoristas na bomba. Na prática, a medida neutralizou quase por completo um reajuste recente de 48 centavos anunciado pela Petrobras, fazendo com que apenas 4 centavos chegassem de fato ao bolso do cidadão.
Essa mesma estratégia de socorro financeiro foi aplicada ao óleo diesel, resultando em uma queda de 2,34% em maio, após o combustível ter disparado quase 14% no primeiro mês da guerra. Graças a esse movimento, o setor de transportes foi o único dos nove grupos pesquisados pelo IBGE a registrar queda média de preços no mês. Apesar do alívio geral com os combustíveis, os especialistas alertam que o custo do frete rodoviário acumulado nos meses anteriores ainda continua alto e acabou sendo repassado para o prato dos brasileiros, pressionando o preço dos alimentos.







