


A Agência de Saúde da União Africana emitiu um alerta preocupante neste sábado, apontando que dez países do continente correm o risco real de serem atingidos pelo vírus Ebola, que atualmente se espalha de forma acelerada na República Democrática do Congo. O presidente do órgão, Jean Kaseya, confirmou a lista de nações em estado de vigilância, que inclui Angola, Burundi, Congo, Etiópia, Quênia, República Centro-Africana, Ruanda, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia. A manifestação ocorre logo após a Organização Mundial da Saúde classificar o atual surto como uma emergência de saúde pública de interesse internacional, um status reservado para crises sanitárias graves que exigem uma resposta rápida e conjunta de várias nações.

A situação na República Democrática do Congo, um país de aproximadamente 100 milhões de habitantes, é considerada alarmante pela velocidade de contágio. Dados oficiais indicam a existência de quase 750 casos suspeitos e 177 mortes em investigação. Esta já é a 17ª epidemia de Ebola a atingir o território congolês e já figura como o segundo maior surto da doença registrado na história mundial. Embora o vírus cause uma febre hemorrágica altamente letal, especialistas relembram que ele possui uma capacidade de transmissão menor do que a da Covid-19 ou do sarampo. Mesmo assim, o temor das autoridades se justifica pelo fato de a doença ter circulado em silêncio por semanas, já que os médicos locais buscavam inicialmente diagnosticar outra variante do vírus, o que atrasou a descoberta do surto real.
O grande desafio enfrentado pelas equipes médicas é que este surto específico é causado pela variante Bundibugyo, uma linhagem rara para a qual a ciência ainda não desenvolveu uma vacina ou um remédio com eficácia comprovada. Sem medicamentos específicos, a estratégia para frear a contaminação depende exclusivamente do isolamento rápido dos doentes e da adoção de medidas rígidas de higiene e barreira física. Esse cenário de incertezas provocou uma corrida às farmácias no leste do Congo, gerando inflação nos preços de máscaras descartáveis e produtos desinfetantes, dificultando o acesso da população mais humilde aos itens de proteção.


Enquanto a OMS estima que o combate à doença deve durar pelo menos mais dois meses, cientistas correm contra o tempo nos bastidores para testar novas alternativas de imunização. O renomado virologista Jean-Jacques Muyembe informou que o governo congolês aguarda a chegada emergencial de lotes experimentais de uma vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, enviados pelos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido. As doses serão aplicadas de forma controlada para avaliar se o novo imunizante consegue proteger a população contra essa versão rara do vírus. Por enquanto, a OMS avalia que o perigo de o vírus se espalhar é considerado altíssimo na região central da África, mas o risco de uma pandemia global permanece baixo.







