

A Seleção Brasileira terá um desafio histórico no próximo domingo, às 17h, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O Brasil vai enfrentar a Noruega, um adversário que carrega o incômodo título de nunca ter sido derrotado pelos brasileiros. Desde 1998, foram quatro partidas entre as duas seleções, com duas vitórias norueguesas e dois empates. No entanto, se dentro de campo o clima é de rivalidade e tabu, fora dos gramados os dois países formam uma das parcerias mais sólidas e importantes do planeta quando o assunto é a conservação ambiental.

A Noruega é, historicamente, a principal financiadora de projetos de preservação das florestas tropicais brasileiras. O país nórdico lidera com folga os investimentos no Fundo Amazônia, criado pelo Brasil em 2008 e gerenciado pelo BNDES, tendo doado R$ 3,8 bilhões de um total de R$ 4,9 bilhões arrecadados até 2025. Esses recursos são liberados conforme o Brasil comprova a queda nos índices de desmatamento e já ajudaram a financiar mais de 650 projetos que apoiam desde pequenos agricultores e povos indígenas até ações de combate a incêndios e fiscalização do solo.
Mais recentemente, essa união ganhou um novo capítulo com a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa lançada pelo Brasil na COP 30, em Belém, no final de 2025. O fundo tem uma proposta inovadora: atrair tanto dinheiro público quanto privado para criar uma poupança que financie a manutenção de florestas na América do Sul, África Central e Sudeste Asiático. A Noruega já se comprometeu a injetar US$ 3 bilhões nessa nova frente ao longo de dez anos, sendo o maior investidor individual até o momento. Atualmente, o TFFF conta com US$ 6,8 bilhões e o governo brasileiro trabalha para alcançar a meta inicial de US$ 10 bilhões com a ajuda de novos parceiros, como a China, que já sinalizou a intenção de aderir ao projeto.


Apesar do forte protagonismo na agenda verde e de incentivar internamente o uso de energias limpas, como carros elétricos, a Noruega vive uma grande contradição aos olhos do mundo, já que é uma das maiores exportadoras de petróleo e gás do planeta. Mesmo com esse duplo papel, ambientalistas reforçam que a liderança do país europeu no financiamento internacional é indispensável. Especialistas lembram que a preservação e a recuperação das florestas são as formas mais eficazes de frear o aquecimento global, mas a preservação da natureza ainda recebe uma parcela muito pequena do dinheiro investido no clima mundial. Assim, enquanto os jogadores se preparam para o duelo decisivo na Copa, os dois países mostram que a verdadeira vitória depende de jogarem juntos pelo futuro do planeta.







