sexta, 10 de julho de 2026

Agressão física de gerente a funcionário provoca greve e crise em fábrica

Uma grave acusação de agressão física contra um operário desencadeou uma intensa crise trabalhista e política na fábrica da Midea em Pouso Alegre, na região do sul de Minas Gerais. De acordo com denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos, um funcionário que atua no setor de controle de qualidade foi agredido por um gerente de nacionalidade chinesa em plena linha de produção. Relatos apontam que a vítima recebeu socos na região das costelas e foi golpeada repetidas vezes com uma borracha de vedação de geladeira. O episódio causou revolta generalizada entre os colaboradores da unidade, que compararam o ato de violência a um castigo físico da época da escravidão, afirmando que o colega foi chicoteado enquanto trabalhava.

O caso provocou uma reação imediata dos trabalhadores, mobilizando cerca de 1.200 funcionários em uma paralisação das atividades. Apoiados pelo sindicato local e pela Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais, os operários realizaram um grande protesto em frente aos portões da empresa. Além de cobrarem punição para a agressão física, que as lideranças sindicais classificam como lesão corporal e abuso covarde, os manifestantes aproveitaram o ato para expor um histórico recorrente de assédio moral, assédio sexual e cobranças abusivas pelo cumprimento de metas de produtividade dentro da fábrica.

Em resposta ao escândalo e às manifestações, a direção da Midea divulgou um comunicado oficial afirmando que repudia qualquer tipo de violência, discriminação ou comportamento que fira seu código de conduta interna. A multinacional informou que o gerente envolvido no caso foi afastado preventivamente de suas funções para que uma apuração interna detalhada seja realizada sobre o ocorrido. Apesar do posicionamento da empresa, as lideranças sindicais argumentam que o caso superou os limites do assédio e exige punições rigorosas, reforçando que nenhum trabalhador deveria sair de casa para ser submetido a agressões no ambiente de trabalho.

Embora o expediente na fábrica tenha sido retomado após o dia de protestos, a rotina interna segue marcada por forte instabilidade e descontentamento. O sindicato decretou oficialmente o estado de greve e alertou que a produção pode ser paralisada por tempo indeterminado caso a multinacional não ofereça garantias concretas de segurança e respeito aos direitos da categoria. Para mediar o conflito e evitar uma paralisação total das máquinas, o Ministério do Trabalho convocou uma reunião de urgência na capital mineira e instituiu uma comissão especial para investigar a fundo as denúncias de abusos no cotidiano da fábrica.

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