sábado, 17 de outubro de 2026

Adaptação de consultórios oftalmológicos melhora o atendimento a crianças com autismo

A realização de exames oftalmológicos em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrenta importantes desafios práticos no ambiente clínico, como a hipersensibilidade sensorial, a intolerância a mudanças na rotina e a forte rejeição ao uso de acessórios como tampões e óculos. O tema foi debatido durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), realizado em Salvador, onde especialistas alertaram para a necessidade de preparar a estrutura e as equipes de atendimento para acolher esses pacientes adequadamente.

Segundo a oftalmologista Raíra Fortuna, que palestrou no evento, cerca de 40% das crianças no espectro apresentam quadros de ansiedade associados, enquanto menos de 4% dos médicos relatam ter passado por treinamentos específicos para este tipo de suporte. A médica explicou que reações muitas vezes interpretadas como desobediência ou oposição são, na verdade, respostas de confusão ou sobrecarga diante de um ambiente pouco adaptado. Essa dificuldade impede com frequência a conclusão de exames básicos, o que traz prejuízos à saúde visual das crianças, visto que a prevalência de condições como o estrabismo chega a 41% em crianças com TEA, contra apenas 3% naquelas com desenvolvimento típico.

Para garantir diagnósticos precisos e consultas mais tranquilas, a especialista apontou que a adequação deve cobrir desde o planejamento inicial até a execução do exame. As medidas recomendadas envolvem o agendamento em horários de menor movimento, a aplicação de questionários prévios para identificar gatilhos sensoriais da criança e o envio prévio de vídeos ilustrativos para gerar previsibilidade sobre o consultório. No ambiente de atendimento, a orientação inclui reduzir a luminosidade excessiva e os ruídos do local, permitir o uso de objetos de apego e adotar uma comunicação clara, avisando o paciente antes de qualquer toque ou procedimento físico.

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