quinta, 6 de agosto de 2026

Ações policiais têm participação recorde em tiroteios e impulsionam violência armada, aponta estudo

As operações e intervenções das forças de segurança consolidaram-se como um dos principais fatores para a manutenção da violência armada nas grandes metrópoles brasileiras. É o que revela o relatório semestral divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Fogo Cruzado, que registrou uma participação recorde de agentes públicos em tiroteios no primeiro semestre de 2026. Mesmo com o incremento da presença policial nos conflitos, o levantamento aponta que as facções e milícias continuam avançando territorialmente.

O estudo mapeou 57 municípios espalhados pelas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém entre janeiro e junho. Ao todo, foram contabilizados 2.511 episódios de trocas de tiros, resultando em 2.403 pessoas atingidas, das quais 1.628 morreram e 775 ficaram feridas. Das ocorrências registradas, 39% contaram com a presença de agentes de segurança, somando 989 confrontos que deixaram 584 mortos e 317 feridos. O índice representa uma alta em relação ao mesmo período de 2025, quando a participação das corporações esteve presente em 33% dos casos. Especialistas da entidade avaliam que a insistência em um modelo focado no confronto direto não desarticula o crime organizado, gera impacto nos serviços públicos básicos e coloca moradores sob constante risco.

O comportamento da violência armada apresentou nuances específicas em cada uma das regiões analisadas. No Grande Rio, quase metade de todos os tiroteios registrados no semestre teve a presença de forças policiais, atingindo a maior proporção para o período desde 2017. Na Região Metropolitana do Recife, apesar da queda no total de confrontos, a quantidade de operações foi a maior da série histórica, acompanhada por um aumento recorde nas vítimas de assaltos. Já em Salvador e seu entorno, mais da metade dos baleados foram atingidos no contexto de ações policiais, refletindo também no alto índice de agentes feridos em serviço. Por fim, na Grande Belém, onde os tiroteios caíram 20% em comparação ao ano anterior, a presença de policiais foi registrada em 45% dos casos mapeados, reafirmando o peso das operações estatais na rotina local.

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