

A imensa maioria dos incêndios registrados no estado de São Paulo tem um culpado em comum: o próprio ser humano. Um dado preocupante divulgado pela Defesa Civil Estadual revela que, a cada dez queimadas que acontecem no território paulista, nove são provocadas por ações humanas, seja de propósito ou por puro descuido. O alerta acende uma luz vermelha para este período de estiagem, quando a falta de chuvas deixa as matas e terrenos muito mais vulneráveis ao fogo.

A situação fica ainda mais delicada entre os meses de junho e outubro, considerados os mais críticos do ano para os incêndios florestais. Nessa época, a combinação de tempo muito seco, vegetação desidratada e altas temperaturas funciona como um combustível perfeito para as chamas se espalharem em alta velocidade. Segundo as autoridades, hábitos comuns e perigosos, como acender fogueiras perto de matas, jogar bitucas de cigarro acesas na beira de estradas e soltar balões, estão no topo da lista das principais causas dessas tragédias ambientais.
O capitão Maxwell de Souza, da Defesa Civil de São Paulo, explica que muitas pessoas agem de forma irresponsável por não terem a real dimensão do estrago que um pequeno descuido pode causar. Ele aponta que, além do lixo queimado por negligência, a prática de soltar balões continua sendo um dos maiores desafios enfrentados pelas equipes de resgate durante a temporada de seca. Para tentar conter o avanço do fogo, o Governo de São Paulo decidiu endurecer o jogo e dobrou o valor das punições financeiras. Agora, a multa para quem provocar incêndios em áreas rurais ou de vegetação sem a devida autorização subiu de R$ 1,5 mil para R$ 3 mil por hectare destruído, podendo saltar para R$ 6 mil por hectare se o crime acontecer em áreas protegidas, como terras indígenas.


Para evitar que novas áreas sejam devastadas, a Defesa Civil orienta os cidadãos a nunca utilizarem o fogo para fazer a limpeza de terrenos ou queimar lixo doméstico, além de reforçar que velas e fogueiras devem ficar longe das florestas. O órgão lembra que soltar balões é um crime ambiental grave e pede para que a população colabore denunciando fábricas clandestinas ou focos de incêndio imediatamente. Por fim, os produtores rurais são orientados a só realizarem queimas controladas com a permissão da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), enquanto os locais turísticos que recebem visitantes devem suspender passeios em dias de calor extremo e alto risco de queimadas.







