Quarta, 18 de Setembro de 2019
Presidente de órgão pede desculpa por festa polêmica
12/09/2019 as 10:00 | S. J. do Rio Preto | SBT Interior
O presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São José do Rio Preto, Kássey Vasconcelou, pediu desculpas, em nome da classe médica da cidade, pela polêmica festa organizada pela Unimed Rio Preto e que repercutiu na internet nesta semana.

A festa, que, segundo ele, tentou alcançar a "realidade cultural brasileira", criou churrascos na laje, puxadinhos e outros cenários parecidos com o do cotidiano de moradores de favelas do País. Na internet, muitos criticaram o tema escolhido para a festa.

De acordo com Kássey, ​"a reafirmação de certos estereótipos de nada acrescenta à discussão dos dias atuais" e "há de se promover reflexão crítica, mas há, antes disso, de se manter o bom senso e a humanidade". No fim, o médico ainda pediu desculpas à sociedade pelo caso.

​Leia o artigo na íntegra:​

​Saúde e racismo estrutural

Em nome da classe médica de São José do Rio Preto, e no papel de presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de nossa cidade, gostaria de tecer alguns esclarecimentos em relação à festa de confraternização da Unimed Rio Preto, realizada no último dia 6 de setembro, no Villa Conte.
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Primeiramente, há de se destacar que o evento realizado é parte do calendário social estatutário da cooperativa, e não se relaciona, portanto, com o ganho dos médicos ou com os valores finais do plano de saúde gerido pela operadora como se tem dito nas redes sociais. A classe médica, como qualquer outra, se reúne e celebra datas e conquistas.

A Unimed, por ser uma operadora de saúde e não uma empresa de eventos, contou com o apoio de um profissional responsável por toda a concepção e decoração da festa, cuja temática inicial, "País das Maravilhas", tinha a pretensão de, partindo da famosa obra do escritor inglês Lewis Carroll, e em uma abordagem intertextual, alcançar a realidade cultural brasileira.

Entretanto, a subversão da lógica substituída pelo nonsense em um mundo surreal criado por Carroll e seu coelho apressado teve seu lugar de crítica social na Inglaterra vitoriana, mas em nada se relaciona com a dura vida do povo brasileiro, que tanto sofre com a desigualdade social e com o racismo estrutural - cultural e institucionalizado - que muitas vezes são fatores incapacitantes para jovens negros. E o médico, no exercício de sua profissão, vê isso diariamente, pois atende a todos, independentemente de cor, credo, raça ou classe social; é uma classe profissional que reconhece as dificuldades dos mais humildes em ter acesso ao sistema de saúde privado.

E a reafirmação de determinados estereótipos em nada acrescenta à discussão dos dias atuais, em que, chocados, descobrimos pelo noticiário atrocidades como jovens negros sendo chicoteados por seguranças de supermercado. Há de se promover reflexão crítica, é evidente; mas há, antes disso, de se manter o bom senso e a humanidade.

A classe médica, consciente do importante papel social que carrega, consciente da responsabilidade social da Unimed Rio Preto, da transparência da cooperativa e da idoneidade de sua diretoria, se desculpa com a sociedade pelo episódio ora relatado. Mea culpa, mea maxima culpa.

Dr. Kássey Vasconcelos, Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São José do Rio Preto
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