Segunda, 15 de Julho de 2019
PF atende defesa e manda Paulo Preto para cela individual
17/03/2019 as 09:19 | Estado de São Paulo | Da Redaçao
O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, será transferido para uma cela individual. A Polícia Federal acatou pedido da defesa, que relatou ao juiz que o operador do PSDB estava em uma cela de nove metros quadrados com outros 11 presos, na Superintendência da PF, em Curitiba, e pediu a transferência para o Complexo Médico Penal, em Pinhais, na região metropolitana da capital.

Os advogados do ex-diretor ressaltaram que na mesma cela havia ‘presos acusados de toda tipo de crimes (inclusive hediondos), em local absolutamente insalubre, onde não é possível nem mesmo sentar ou deitar durante todo o dia e/ou noite’.

O delegado da Polícia Federal Alessandro Netto Vieira informou ao novo magistrado da Operação Lava Jato, juiz Luiz Antonio Bonat, que o recinto para o qual o preso será levado é normalmente usado para presos femininos e que se encontra vazio.

Vieira de Souza foi preso em 19 de fevereiro pela Lava Jato do Paraná. O ex-diretor da Dersa ficou custodiado em São Paulo para acompanhar audiências de um processo na Justiça Federal paulista até a quarta-feira, 13, quando foi transferido para Curitiba.

Ao magistrado, o delegado relatou disse que, considerando as condições pessoais de Vieira de Souza noticiadas na petição, ele será transferido para uma cela individual ainda hoje.

“Para evitar o acúmulo de presos em um único ambiente, será ele então, ainda na data de hoje, colocado em uma cela individual, normalmente usada para presos femininos e que e encontra ociosa”, comunicou o delegado.

Alessandro Netto Vieira destacou que ‘paralelamente, já estão sendo feitos contatos com o sistema prisional do Estado para providenciar a remoção dele (Vieira de Souza), visto preencher os requisitos de ser um preso preventivo e sem intenção de promover acordo de colaboração premiada’.

O ex-diretor da Dersa foi indiciado pela PF por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha na quinta-feira, 14.

O caso Paulo Preto
A Lava Jato afirma que o ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), responsável por empreendimentos bilionários de governos do PSDB em São Paulo, disponibilizou, a partir do segundo semestre de 2010, R$ 100 milhões em espécie ao operador financeiro Adir Assad, no Brasil.

Assad entregou os valores ao Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, aos cuidados do doleiro Álvaro José Novis – que fazia pagamentos de propinas, a mando da empresa, para vários agentes públicos e políticos, inclusive da Petrobrás.

“Esse, por sua vez, repassou o dinheiro, ainda no exterior, mediante a retenção de comissões, diretamente a Paulo Vieira de Souza, ou, por vezes, a doleiros chineses, que se encarregavam de remeter os valores, também por meio de instituições bancárias estrangeiras, ao representado (Paulo Vieira de Souza)”, narrou a Lava Jato.

A Procuradoria da República afirmou ainda que o ex-diretor da Dersa manteve R$ 131 milhões em quatro contas no banco Bordier & CIE, de Genebra, em nome da offshore panamenha Groupe Nantes SA, da qual o operador é beneficiário econômico e controlador. As contas foram abertas em 2007 e mantidas até 2017.

Antes de ser pego pela Lava Jato do Paraná, o operador do PSDB estava em recolhimento domiciliar integral e monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica desde setembro do ano passado. A decisão havia sido tomada pelos ministros da Segunda Turma do Supremo após a prisão de Paulo Vieira de Souza pela Lava Jato de São Paulo.

Em um dos processos da Lava Jato SP, Vieira de Souza pegou 27 anos de prisão (sete anos e oito dias em regime fechado e 20 anos de detenção em regime semiaberto e aberto) por cartel e fraude à licitação. Em outra ação, o ex-diretor foi condenado a 145 anos e oito meses de prisão por peculato, inserção de dados falsos e associação criminosa.

Em 1º de março, Vieira de Souza virou réu pela terceira vez na Lava Jato SP. O juiz Diego Paes Moreira, da 6.ª Vara Criminal Federal, recebeu uma denúncia da força-tarefa contra o ex-diretor da Dersa por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Quando Paulo Vieira de Souza foi preso no dia 19 de fevereiro, o PSDB declarou: “O PSDB de São Paulo esclarece que não é parte no processo em questão e não mantém qualquer tipo de vinculo com o sr. Paulo Vieira, jamais recebeu qualquer contrapartida de empresas nem autorizou terceiros a fazê-lo em seu nome. Os recursos recebidos pelo partido, em período eleitoral ou não, foram doados de maneira absolutamente legal e declarados à Justiça Eleitoral, respeitando a legislação vigente.”
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